Tenho uma dúvida de cunho teológico. A vida eterna, a eternidade, é um atributo exclusivamente de DEUS. Eternidade no sentido de não ter início e não ter fim. Ora, o homem e os anjos nunca serão eternos, pois foram criados em certo “momento”. Como dizer, então, como se ouve, que teremos a vida eterna, que viveremos na eternidade, que seremos eternos, como se encontra em certos escritos? Que vida viveremos após a morte? Como se chama esta vida, teologicamente falando?


Caríssimo sr. Nelson,
 
Obrigado pela confiança em escrever-nos.
 
Realmente, a eternidade absoluta é atributo exclusivo de Deus, pois indica que o ser não teve começo e não terá fim. Todavia, seres criados podem ser eternos, relativamente falando. Essa eternidade relativa é própria do espírito. Não fosse eterno, não seria espírito. Assim, o anjo, espírito por excelência, é eterno. E o homem, por ter uma alma espiritual, também o é.
 
Evidentemente, não se trata aqui da eternidade absoluta, mas de uma eternidade relativa, que é melhor chamada “imortalidade”. Para designar os seres relativamente eternos, podemos designá-los de imortais: assim, alma espiritual e, portanto, imortal; anjo, por ser espírito, imortal.

Atente, outrossim, para a seguinte explicação fornecida por D. Estêvão Bettencourt, OSB, em seu “Curso de Novíssimos (Escatologia)”, publicado pela Escola “Mater Ecclesiae”, pp. 149-150:
 
“[A Igreja afirma] que, ao sair do tempo, a alma humana não entra na eternidade. Eternidade significa, a rigor, vida sem começo e sem fim ou posse simultânea de toda a existência do sujeito. Ora, só Deus é eterno. O ser humano, após a vida temporal, não se torna eterno; a sua existência não é avaliada pelos critérios da eternidade porque a alma não terá fim, mas teve começo. A existência humana, após esta vida temporal, é aferida pelos critérios do EVO, que se define claramente através do seguinte quadro:
 
Tempo:
– implica existência que tem começo e fim;
– mutabilidade no ser;
– mutabilidade no agir.
 
Evo:
– existência que tem começo, mas não tem fim;
– imutabilidade no ser;
– mutabilidade no agir.
 
Eternidade:
– existência sem começo e sem fim;
– imutabilidade no ser;
– imutabilidade no agir.
 
O EVO é, pois, a existência de quem não muda seu ser, isto é, não conhece a deterioração de sua natureza ou não experimenta a morte, mas muda em seu agir, pois não esgota as suas potencialidades num só ato (exerce atos sucessivos de conhecimento e amor que constituem a trama do seu agir). Por isto o evo é também chamado ‘tempo psicológico’.
 
A ETERNIDADE não conhece mutabilidade alguma, pois Deus não evolui e exerce toda a sua atividade num só ato, que é perfeito e cabal.
 
O TEMPO implica mutabilidade no ser e no agir, pois tudo o que é temporal começa e acaba.”

Em Cristo,

Facebook Comments

Livros recomendados

Retorno e SaídaEsta Poesia e Mais OutraEspiritismo e fé