• Autor: Anônimo
  • Fonte: A Catholic Response Inc. (http://users.binary.net/polycarp)
  • Tradução: Carlos Martins Nabeto

– “Salve, cheia de graça, o Senhor é convosco! Bendita és tu entre as mulheres!” (Lucas 1,28).

* * *

Alguns cristãos criticam a Igreja Católica para louvar Maria sob o título de “Mãe de Deus”. Afirmam que este título não é encontrado na Bíblia para Maria.

Pois bem: pode até ser verdade que a Bíblia [em si] não ensine dogmaticamente Maria como “Mãe de Deus”; no entanto, inspirada pelo Espírito Santo, Isabel refere-se a ela como “a mãe do meu Senhor”:

  • “Assim que Isabel ouviu a saudação de Maria, o bebê agitou-se em seu ventre e Isabel ficou plena do Espírito Santo. E, com um forte grito, exclamou: ‘Bendita és tu entre todas as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! Como me ocorre que a mãe do meu Senhor venha visitar-me?'” (Lucas 1,41-43).

O título “Senhor” geralmente é dado ao principal provedor. Após o Cativeiro da Babilônia, os judeus geralmente se referiam a Deus como “Senhor”, especialmente porque Seu Nome “YHWH” não podia ser pronunciado. A maioria das traduções modernas do português para o Antigo Testamento traduz o “Tetragrammaton” “YHWH” como “Senhor”. Até [dicionários seculares como] o “American Heritage Dictionary” reconhecem “Senhor” (com “S” maiúsculo) como “Deus”.

O capítulo 1 do Evangelho de Lucas costuma empregar o título “Senhor”; por exemplo: “os mandamentos e as exigências do Senhor” (Lucas 1,6), “o templo do Senhor” (Lucas 1,9) e “um anjo do Senhor” (Lucas 1,11). Este título refere-se exclusivamente a Deus. Seria assim muito estranho que o “Senhor” de Lucas 1,43 constituísse uma exceção.

Alguém pode argumentar que Isabel usa a frase “meu Senhor” ao invés de “o Senhor” e então isso deve significar alguma outra coisa. Na melhor das hipóteses, este argumento é frágil. Isabel, como judia devota, reconhecia Deus como o seu Senhor. Os salmistas se referem a Deus como “meu Deus” e “meu Senhor”, como [vemos] no Salmo 35(34),23.

O Evangelho de Mateus também apoia Maria como Mãe de Deus. No capítulo 1, diz que o Filho de Maria foi concebido pelo Espírito Santo:

  • “Porque Aquele que nela foi concebido é do Espírito Santo” (Mateus 1,20; v.tb. v.18).

Definitivamente, esta não foi uma gravidez concebida pelos meios ordinários (cf. Mateus 1,23). No capítulo 2, os três Reis Magos vão ver o Menino Jesus:

  • “E eles entraram em casa e viram o Menino com Maria, sua mãe; e eles se prostraram e O adoraram” (Mateus 2,11).

Pois bem: os magos eram pagãos; no entanto, é difícil crer que São Mateus registraria de maneira tão positiva a adoração que eles prestaram ao Menino se o Filho de Maria não fosse Deus. Ora, se Maria não fosse a Mãe de Deus, a Bíblia toleraria a idolatria neste versículo.

Nestório, patriarca de Constantinopla, declarou em 428 d.C. que Maria não podia ser a Mãe de Deus, uma vez que uma criatura não podia suportar o Criador. Mais tarde, ele também negou que o Menino Jesus fosse Deus, já que Deus jamais poderia ser um bebê indefeso. Levando adiante esta linha de raciocínio defeituosa, é preciso perguntar se Deus realmente poderia sofrer e derramar o Seu Sangue na Cruz pelos nossos pecados. O problema fundamental de Nestório é que ele não aceitava totalmente a Encarnação (cf. Gálatas 4,4).

Ainda hoje alguns cristãos afirmam que Maria era apenas “a mãe da natureza humana de Cristo”. Isto parece plausível até que se note o fato de uma mãe dar à luz a uma pessoa e não a uma natureza. Quando uma mulher dá à luz apenas à natureza, deu à luz apenas a um natimorto.

Maria não é divina. Ela não existia diante de Deus até ser criada por Ele; no entanto, como a Embarcação Digna (digna de Deus), ela deu à luz a uma Pessoa viva [não um natimorto], Jesus Cristo. Ela deu à luz a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade: Deus Filho, uma Pessoa Divina. Jesus Cristo é uma única pessoa e não duas; Ele não é esquizofrênico. Conforme proclamado pelo Tomo de Leão, no Concílio Ecumênico de Calcedônia (451 dC), Jesus é uma Pessoa Divina com duas naturezas: uma natureza divina e uma natureza humana. Visto que Maria é verdadeiramente a Mãe da Pessoa, Jesus Cristo, e Jesus Cristo é verdadeiramente Deus, segue-se logicamente que Maria é a Mãe de Deus. Negar esta conclusão é negar que Maria é verdadeiramente a Mãe de Cristo ou [negar] que Cristo é verdadeiramente Deus.

Deve-se entende justamente que Deus quis nascer de uma mulher (cf. Gálatas 4,4), para ser uma criança, para sofrer e morrer na cruz. Nada é impossível para Deus, exceto pecar. O único Jesus Cristo é verdadeiramente “o Filho de Deus” (cf. Lucas 1,35; João 1,14.18) e “o Filho de Maria” (cf. Lucas 2,34). Negar que Maria seja Mãe de Deus é atacar sutilmente a verdadeira divindade de Jesus Cristo e Sua Encarnação: “o Verbo era Deus (cf. João 1,1) (…) E o Verbo se fez carne e habitou entre nós (cf. João 1,14)”.

Facebook Comments

Livros recomendados

Senhor, Tende PiedadeDesconstruindo Paulo FreireÉdipo Mimético