• Autor: Anônimo
  • Fonte: A Catholic Response Inc. (http://users.binary.net/polycarp)
  • Tradução: Carlos Martins Nabeto

– “No 15º ano do governo de Tibério César, quando Pôncio Pilatos era procurador da Judeia; Herodes, tetrarca da Galiléia; Filipe, seu irmão, tetrarca da região da Itureia e Traconite; e Lisânias, tetrarca de Abilene…” (Lucas 3,1).

* * *

Algumas pessoas afirmam que Jesus Cristo nunca existiu: alegam que a vida de Jesus e o Evangelho são meros mitos criados pela Igreja. Esta afirmação baseia-se principalmente na crença de que não há registro histórico de Jesus.

Essa falta de relatórios civis não deveria surpreender os cristãos de hoje. Primeiramente, porque apenas uma pequena fração dos registros escritos sobreviveu a estes vinte [e um] séculos. Em segundo lugar, porque havia poucos jornalistas na Palestina – se é que havia algum – no tempo de Jesus. Em terceiro, porque os romanos enxergavam o povo judeu como apenas mais um dos muitos grupos étnicos que precisavam ser tolerados. Os romanos tinham o povo judeu em baixa consideração. Por fim, os líderes judeus também estavam ansiosos para esquecer Jesus; e os escritores seculares só deram importância depois que o Cristianismo tornou-se popular, passando a incomodar os seus estilos de vida.

E embora os relatos seculares sobre Jesus possam ser raros, existem ainda alguns que chegaram até nós, fazendo referências a Ele.

Não surpreendentemente, os primeiros relatos não-cristãos foram feitos por judeus. Flávio ​​Josefo, que viveu até 98 d.C., era um historiador judeu romanizado. Ele escreveu vários livros sobre a história judaica dirigidos ao povo romano. Em seu livro “Antiguidades Judaicas”, ele faz referências a Jesus. Em uma das referências, ele escreveu:

  • “Nessa época, surgiu Jesus: um homem sábio, que fez boas ações e cujas virtudes foram reconhecidas. E muitos judeus e pessoas de outras nações se tornaram seus discípulos. Pilatos o condenou a ser crucificado e a morrer. No entanto, aqueles que se tornaram seus discípulos pregaram sua doutrina. Eles relataram que ele lhes apareceu três dias após a sua crucificação e que estava vivo. Talvez ele fosse o Messias, acerca de quem os profetas predisseram maravilhas” (Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas, 18,3,2).

Embora várias formas diferentes deste texto em particular tenham sobrevivido ao longo destes vinte [e um] séculos, todas elas concordam com a versão citada acima. Esta versão é considerada a mais próxima da original, a menos suspeita de adulteração de texto por cristãos. Em outras partes deste livro, Josefo também relata a execução de São João Batista (18,5,2) e São Tiago, o Justo (20,9,1), referindo-se a Tiago como “o irmão de Jesus que foi chamado ‘Cristo'”. Deve-se notar que o tempo passado na cláusula “Jesus que FOI chamado ‘Cristo'” acaba argumentando contra a adulteração de texto de natureza cristã, já que um cristão [certamente] preferiria escrever: “Jesus que É chamado ‘Cristo'”.

Uma outra fonte judaica, o Talmud, faz várias referências históricas a Jesus. Segundo a “American Heritage Dictionary”, o Talmud é “a coleção de escritos rabínicos antigos, que consistem na Mishná e na Gemara, constituindo a base da autoridade religiosa para o Judaísmo tradicional”. Embora não seja explicitamente referido pelo nome, rabinos posteriores identificaram a pessoa como Jesus. Essas referências a Jesus não são simpáticas a Ele ou à Sua Igreja. Esses escritos também foram preservados ao longo dos séculos pelos judeus, de modo que os cristãos não podem ser acusados ​​de os terem adulterado.

O Talmud faz nota dos milagres de Jesus. Nenhuma tentativa é feita para negá-los, mas os atribui às artes mágicas do Egito. Também a Sua crucificação é datada como “na véspera da Festa da Páscoa”, de acordo com o Evangelho (cf. Lucas 22,1-3; João 19,31-33). Novamente como o Evangelho (cf. Mateus 27,51), o Talmud registra o terremoto e o rasgo das cortinas do Templo em duas durante o momento da morte de Jesus. Josefo, em seu livro “A Guerra Judaica”, também confirma esses eventos.

Lá pelo início do século II, os romanos passaram a escreveram sobre os cristãos e Jesus. Plínio o Jovem, procônsul na Ásia Menor, em 111 d.C., escreveu isto ao imperador Trajano numa carta:

  • “[É] costume se reunirem num dia fixo, antes do nascer do sol, para cantar um hino a Cristo como a um deus; [e] de obrigarem-se, por juramento, a não cometer crimes, roubos, latrocínios e adultérios, a não faltar com a palavra dada e não negar um depósito exigido na justiça. Findos estes ritos, tinham o costume de se separarem e de se reunirem novamente para uma refeição comum…” (Plínio o Jovem, Epístola 97).

Deve ser dada especial atenção à frase “a Cristo como a um deus”: trata-se de um primitivo testemunho secular da crença [cristã] na divindade de Cristo (João 20,28; Filipenses 2,6). Também é interessante comparar esta passagem com Atos 20,7-11, que traz um relato bíblico de uma antiga celebração do domingo cristão.

Também o historiador romano Tácito, respeitado pelos estudiosos modernos por sua precisão histórica, escreveu em 115 d.C. sobre Cristo e Sua Igreja:

  • “[O nome de ‘cristãos’] lhes provém de Cristo, [um homem] que no tempo de Tibério havia sido entregue ao suplício pelo procurador Pôncio Pilatos. Reprimida no momento, essa execrável superstição surgiu novamente, não apenas na Judeia (…) mas também em Roma…” (Tácito, Anais 15,44).

Mesmo tratando com desdém a fé cristã, Tácito tratou a execução de Cristo como fato histórico, estabelecendo conexões com eventos e líderes romanos (cf. Lucas 3,1-3).

Outras testemunhas seculares do Jesus histórico incluem Suetônio em sua biografia de Cláudio; Phlegan, registrando o eclipse do sol que ocorreu durante a morte de Jesus; e até Celso, um filósofo pagão. Deve-se ter em mente que a maioria dessas fontes não era simplesmente secular, mas anticristã. Esses autores seculares, incluindo os escritores judeus, não tinham desejo ou intenção de promover o Cristianismo; e eles não tinham motivo nenhum para distorcer os seus relatos em favor do Cristianismo. Plínio, na verdade, punia [severamente] os cristãos por sua fé. Se Jesus fosse um mito ou se a sua execução fosse uma farsa, Tácito teria relatado isso como tal; ele certamente não teria ligado a execução de Jesus aos líderes romanos. [Todos] esses escritores [seculares antigos] apresentaram Jesus como uma pessoa histórica real.

Pois bem: estes antigos escritos civis não provam que Jesus é “o Filho de Deus” ou sequer “o Cristo” – mas este também não é o objetivo deste nosso artigo.

[Em suma:] esses relatos mostram que uma pessoa virtuosa chamada “Jesus” viveu no início do século I d.C. e criou um movimento religioso (que se mantém até hoje). Essa pessoa era no mínimo chamada de “Cristo”, o “Messias”. Os cristãos do século I também pareciam considerá-lo Deus. Por fim, esses escritos apoiam outros fatos encontrados na Bíblia em torno da Sua vida. A afirmação de que Jesus nunca existiu e que a Sua vida é um mito compromete [sem razão] a confiabilidade da História Antiga.

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