O Sacerdote, depois de partir o pão sobre a patena, coloca um pedacinho da hóstia grande no cálice da comunhão[1], fazendo a seguinte oração em silêncio:

– “Esta união do Corpo e Sangue de Jesus, o Cristo e Senhor nosso, que vamos receber, nos sirva para a vida Eterna”.

Este rito, de profundo significado e simbolismo, pode passar despercebido ao fiel pouco concentrado na celebração. Tal rito advém de duas tradições, uma da Igreja romana e outro da Igreja oriental.

Quanto à tradição latina, até o século IX, quando o Papa celebrava a Santa Missa, na hora da fração do pão, retirava hóstias consagradas em dias festivos e as enviava aos bispos das cidades vizinhas de Roma, bem como aos presbíteros das outras igrejas da cidade; estes por sua vez, colocavam essas partículas no cálice do Sacrifício no momento da liturgia eucarística, significando a união com o Papa e sua presidência hierárquica, a unidade da Igreja. Esta partícula era chamada de “fermentum” (fermento[2]). A partir do século IX, tal rito caiu em desuso, continuando a tradição do próprio celebrante colocar no cálice um pedaço da própria hóstia, significando a unidade e a paz.

Quanto à tradição oriental, o rito de colocar uma partícula da hóstia consagrada no cálice antes da comunhão significa a união das espécies consagradas:

– “Pão e vinho embora separados, não são algo morto, como o sangue separado do corpo. Formam uma unidade, o corpo vivo e glorioso de Cristo. Lembram o mistério da ressurreição de Cristo”[3] (cf. A Liturgia da Missa, pág.91).

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NOTAS

[1] Prescreve a Instrução Geral do Missal Romano, no nº 267: “A seguir, enquanto diz com o ministro o Cordeiro de Deus, o sacerdote parte a hóstia sobre a patena. Terminado o Cordeiro de Deus, depõe no cálice a fração da hóstia, dizendo em silêncio: Esta união”.
[2] “Disse ainda: A que direi que é semelhante o Reino de Deus? É semelhante ao fermento que uma mulher tomou e misturou em três medidas de farinha e toda a massa ficou levedada” (Lc 16,20-21).
[3] Não obstante ao sentido da tradição oriental, ensina a Igreja sobre a presença do Cristo inteiro em qualquer das espécies eucarísticas: “A presença eucarística de Cristo começa no momento da consagração e dura também enquanto subsistirem as espécies eucarísticas. Cristo está presente inteiro em cada uma das espécies e inteiro em cada uma das partes delas, de maneira que a fração do pão não divide o Cristo” (CIC § 1377).

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BIBLIOGRAFIA

– BECKHAUSER, Frei Alberto. A Liturgia da Missa: Teologia e Espiritualidade da Eucaristia. 6ª edição. Petrópolis-RJ, Vozes, 1988.
– Catecismo da Igreja Católica. São Paulo: Loyola,2000.
– MISSAL ROMANO RESTAURADO POR DECRETO DO CONCÍLIO ECUMÊNICO VATICANO II, PROMULGADO PELA AUTORIDADE DE PAULO VI E REVISTO POR MANDADO DO PAPA JOÃO PAULO II – Tradução portuguesa para o Brasil da separata da terceira edição típica preparada sob os cuidados da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. Roma, 2002 (Edição e- book do site www.pastoralis.com.br).

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