A Igreja Ortodoxa é a que principiou a separar-se da obediência ao Papa com o Patriarca Fócio (857-886) de Constantinopla e que consumou a separação com o Patriarca Miguel Cerulário (1054). Este levou também a separarem os Patriarcas de Antioquia, Alexandria, Jerusalém e muitos povos do chamado Oriente Cristão.

Ao contrário da Igreja Católica, que permanece unida num só Corpo moral sob o governo de um único Supremo Pastor, o Papa, a Igreja Ortodoxa é um simples conjunto de Igrejas independentes, governando-se cada qual por si própria, unidas entre si só por laços morais de doutrina e não de jurisdição ou governo. À frente de cada uma destas Igrejas nacionais (russa, romena, grega, sérvia, búlgara) está um dignatário com o título de Patriarca.

A divisão ou cisma começou com da seguinte fórmula:

No ano de 857 era Patriarca de Constantinopla um Bispo piedoso e reto chamado Inácio. Porque se negou a aprovar certas arbitrariedades do imperador Bardas, foi deposto do seu cargo e substituído pelo ambicioso Fócio. Os Papas Nicolau I, João VIII e Martinho I quiseram trazê-lo à obediência e ao bom caminho e repor Inácio no seu lugar. Fócio não se submeteu e levou os búlgaros à rebeldia. Não fez caso da excomunhão que contra ele lançaram os Papas. O cisma acalmou porque o imperador de Constantinopla  depois o prendeu.

Passados duzentos anos, o Patriarca de Constantinopla Miguel Cerulário rompeu com Roma e declarou-se único chefe da Igreja no Oriente. A 16 de julho de 1054 os legados pontifícios excomungaram o Patriarca Miguel Cerulário, que reagiu “excomungando” o Papa e todos os Cristãos que lhe obedeciam. Assim se originou o cisma do Oriente que dividiu a Cristandade e que dura até os nossos dias.

A separação foi favorecida por diversas causas: o desejo dos imperadores de Constantinopla de terem uma Igreja às suas ordens (cesaropapismo), língua e cultura diferentes, dificuldade de comunicações e de compreensão, a ação dos Cruzados, em especial da IV Cruzada, durante a qual, Constantinopla foi infelizmente posta a saques, vexados e oprimidos os Cristãos orientais.

Quanto à doutrina, os Ortodoxos crêem em quase todas as verdades Católicas. As principais são essas:

1º- Os Católicos afirmam que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho; os Ortodoxos só do Pai.

2º- Não admitem o Primado do Romano Pontífice, isto é, o poder de governar toda a Igreja (Bispos, Sacerdotes e fiéis), nem a sua infalibilidade. Para eles o Papa é apenas o “primeiro entre os iguais”, isto é, um Bispo mais importante pela honra e não pelo poder de jurisdição.

3º- Só admitem as decisões e definições dos Concílios , até o oitavo Concílio Ecumênico, isto é, o IV Concílio de Constantinopla (867-872), em que eles tomaram parte oficialmente e em pleno direito. Por isso, não admitem a infalibilidade do Romano Pontífice, as definições dogmáticas da Imaculada Conceição, Assunção, Purgatório, Indulgências, etc. Aceitam certamente, algumas destas verdades, mas não como dogmas de Fé definidos pelo Papa ou pelos Concílios.
 
4º- Os Bispos ortodoxos, ao contrário dos protestantes, são verdadeiros Bispos, porque são sucessores dos Apóstolos. Os Sacerdotes, como os Sacerdotes Católicos romanos, administram válida, ainda que ilicitamente, os Sacramentos. A Missa, a Consagração e Comunhão são válidas.

 5º- Os Ortodoxos sobem a uns 160 milhões.

Além dos Ortodoxos orientais separados da Igreja Católica, chamados cismáticos, há também Católicos orientais fiéis ao Papa. Em Fátima, na sede do Exército Azul, há Sacerdotes e uma capela deste gênero. Designam-se por «Uniatas» as Igrejas e os fiéis Católicos do rito Oriental unidos a Roma.

O Bispo e Sacerdotes que atuam na ladeira do Pinheiro em Portugal são Ortodoxos separados ou cismáticos.

A Igreja Católica, por meio dos últimos Papas, e sobretudo do Vaticano II, tem empregado os maiores esforços por acabar com esta dolorosa separação e fazer retornar à unidade da Santa Madre Igreja todos esses Cristãos separados.

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