MANUAL DO CATÓLICO DE HOJE
Parte Prática

1. Os dois grandes mandamentos de Deus

A base de toda a lei (de sua norma de vida) consiste em dois mandamentos:

  • “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o coração, com toda a tua alma e com todo o teu entendimento… Amarás o próximo como a ti mesmo” (Mt 22,37-39).

 

2. Os mandamentos da Lei de Deus

São uma extensão dos dois grandes mandamentos. Os três primeiros mostram a você como amar a Deus; os outros mostram como amar ao próximo.

  1. Amar a Deus sobre todas as coisas.
  2. Não tomar seu santo nome em vão.
  3. Guardar os domingos e festas de guarda.
  4. Honrar pai e mãe.
  5. Não matar.
  6. Não pecar contra a castidade.
  7. Não furtar.
  8. Não levantar falso testemunho.
  9. Não desejar a mulher do próximo.
  10. Não cobiçar as coisas alheias.

Em forma abreviada, são estes os dez mandamentos:

  • Amor a Deus:
  • . Amar somente a Deus
  • . Venerar seu nome
  • . Observar os dias santos
  • Amor ao próximo:
  • . Honrar os pais e obedecer às autoridades legítimas
  • . Respeitar a vida humana
  • . Considerar o sexo como algo sagrado
  • . Amar a verdade
  • . Respeitar os direitos e a propriedade dos outros

 

3. Os mandamentos da Igreja

Os católicos são obrigados a:

  1. Ouvir Missa (participando ativamente) todo domingo e festas de guarda, e evitar trabalho desnecessário nesses dias (ver abaixo a lista dos dias santos).
  2. Confessar-se ao menos uma vez cada ano.
  3. Comungar ao menos uma vez pela Páscoa da Ressurreição (no Brasil, o tempo para cumprir esse preceito vai de 2 de fevereiro a 16 de julho).
  4. Jejuar e abster-se de carne quando manda a Santa Madre Igreja (v. explicação na pág. 43s [abaixo, em “5. Normas para o Jejum e a Abstinência]).
  5. Contribuir para a manutenção da Igreja (local, nacional e mundial) (É o que se faz pelo dízimo, espórtulas ou coletas).

 

4. Dias santos de preceito

Os dias santos de preceito são festas especiais nos quais os católicos que atingiram a idade do uso da razão estão gravemente obrigados, como aos domingos, a participar da Missa e a evitar trabalho desnecessário. Motivos sérios dispensam destas obrigações.

No Brasil, são dias santos de preceito: Dia de Ano Novo, 1º de janeiro; Festa do Corpo e Sangue de Cristo; Imaculada Conceição, 8 de dezembro; Natal, 25 de dezembro. As festas da Ascensão do Senhor, Assunção de Maria e Todos os Santos, são celebradas no domingo seguinte às datas tradicionais.

 

5. Normas para o Jejum e a Abstinência

Jejuar significa deixar de comer certos alimentos. Abster-se significa deixar de comer carne. No Brasil são dias de jejum e abstinência a quarta-feira de cinzas e a sexta-feira santa. Por determinação do Episcopado brasileiro, nas sextas-feiras do ano (inclusive as da Quaresma, exceto a sexta-feira santa) fica a abstinência comutada em outras formas de penitência.

A obrigação de se abster de carne começa aos 14 anos. A obrigação de jejuar, limitando-se a uma refeição principal e a duas mais ligeiras no decurso do dia, vai dos 21 aos 59 anos.

Quem está doente (isto vale também para as mulheres grávidas) não está obrigado a jejuar. (Na dúvida quanto a outros motivos, consulte seu confessor).

O jejum e a abstinência são formas de penitência. Como seguidores de Cristo, temos de participar de seus sofrimentos. Devemos praticar também outras formas de penitência voluntária. A oração, tanto particular como litúrgica, pode ser penitencial. A caridade para com o próximo requer a renúncia ao amor próprio e a partilha de nossas posses.

 

6. A Confissão dos pecados

O preceito de se confessar pelo menos uma vez por ano é um lembrete para se receber o sacramento da Penitência (ou da reconciliação) regularmente. Se não se cometeu nenhum pecado mortal durante aquele tempo, a confissão não é necessária. Todavia, a confissão freqüente é de grande valor: conforma-nos mais profundamente com Cristo e torna-nos mais submissos à voz do Espírito.

A reconciliação é um encontro pessoal com Jesus Cristo representado pelo sacerdote no confessionário ou na sala da reconciliação. O penitente reconhece diante de Deus que pecou, faz um ato de contrição, aceita uma penitência (orações, atos de renúncia, ou obras de caridade para com o próximo), e propõe-se a agir melhor no futuro.

Após a oração e o exame de consciência para descobrir quais pecados você cometeu, você se dirige ao confessionário.

O Sacerdote acolhe você com benevolência.

Você responde e faz o sinal da cruz.

O Sacerdote exorta você à confiança em Deus.

Você responde: “Amém”.

O Sacerdote pode ler ou dizer de cor algum trecho escolhido da Bíblia.

Você se apresenta (não pelo nome) e diz quanto tempo faz desde sua última confissão. Em seguida diz seus pecados. (Cada, pecado mortal deve ser confessado do modo melhor possível.) É útil mencionar os pecados veniais mais freqüentes e perniciosos.

O Sacerdote lhe dará algum conselho necessário e fará as perguntas que julgar convenientes. Depois impõe a penitência.

Você faz então o ato de contrição: “Meu Deus, arrependo-me de todo o coração por vos ter ofendido. Detesto todos os meus pecados por causa de vossos justos castigos, mas sobretudo porque com eles ofendi a vós, meu Deus, que sois infinitamente bom e digno de todo o meu amor. Proponho firmemente, com o auxílio da Vossa graça, nunca mais pecar e evitar as ocasiões próximas de pecado” (veja na parte “Orações”, outros atos de contrição).

O Sacerdote coloca então as mãos sobre sua cabeça (ou estende a mão direita em sua direção) e pronuncia estas palavras de perdão: “Deus, Pai de misericórdia, que pela morte e ressurreição de seu Filho, reconciliou o mundo consigo e infundiu o Espírito Santo para remissão dos peçados, te conceda, pelo ministério da Igreja, o perdão e a paz. E eu te absolvo dos teus pecados, em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo”.

O Sacerdote diz então: “Dai graças ao Senhor, pois Ele é bom”.

Você responde: “Porque sua misericórdia é eterna”.

O Sacerdote despede você com estas ou semelhantes palavras: “O Senhor perdoou teus pecados. Vai em paz” (para mais informações sobre a Penitência, veja Capítulo 12: A Penitência: Sacramento da Reconciliação)

 

7. Normas para o Jejum Eucarístico

As condições para se receber a Santa Comunhão são o estado de graça (estar livre do pecado mortal), reta intenção (não por rotina ou respeito humano, mas com o fim de agradar a Deus), e observância do jejum eucarístico.

Este jejum significa que você não deve comer nada nem beber qualquer líquido (exceto água) uma hora antes da recepção da Comunhão. No entanto, os doentes ou anciãos, mesmo os que não estão de cama (e os que cuidam deles e querem receber a Comunhão com eles mas não podem jejuar por uma hora sem inconveniente), precisam jejuar só por 15 minutos. Assim também, os que estão doentes (mesmo que não estejam de cama), podem tomar bebidas não-alcoólicas e líquidos ou remédios sólidos antes da Santa Comunhão sem qualquer limite de tempo.

 

8. Como receber a Comunhão

A Comunhão sempre pode ser recebida na língua. Os Bispos do Brasil têm permissão da Santa Sé para autorizarem em suas dioceses a distribuição da comunhão na mão. Normalmente se comunga de pé.

O ministro da Eucaristia dirige-se ao comungante com as palavras: “O Corpo de Cristo”. O comungante responde: “Amém”.

Quando o ministro da Eucaristia ergue o Pão Eucarístico e pronuncia as palavras “O Corpo de Cristo”, ele está fazendo um convite para você fazer um ato de fé, para expressar sua fé na Eucaristia, para manifestar sua necessidade e desejo do Senhor, para aceitar a boa-nova do mistério pascal de Jesus.

Um claro e significativo “Amém” é sua resposta a este convite. Desta forma você professa sua fé na presença de Cristo no Pão e no Vinho Eucarístico, bem como no seu corpo, a Igreja.

9. Bem-aventuranças

O cristianismo positivo inclui mais do que obediência a leis.

Os que seguem a Cristo e vivem do seu Espírito sabem que sua salvação depende de luta e de dor. As Bem-aventuranças são um resumo das dificuldades a serem vencidas pelos fiéis cristãos e das recompensas que vão receber se forem seguidores leais de Cristo.

  1. Bem-aventurados os que têm um coraçao de pobre, porque deles é o reino dos céus.
  2. Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.
  3. Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados.
  4. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
  5. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
  6. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.
  7. Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus.
  8. Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus (Mt 5,3-10).

Eis uma versão mais breve das Bem-aventuranças:

  1. Felizes os que necessitam de Deus.
  2. Felizes os que têm auto-domínio.
  3. Felizes os que se arrependem dos pecados.
  4. Felizes os que têm fome e sede de santidade.
  5. Felizes os misericordiosos.
  6. Felizes os que amam de todo o coração.
  7. Felizes os que promovem a paz.
  8. Felizes os que sofrem por fazerem o que é justo.

 

10. Obras de misericórdia corporais (materiais)

  1. Dar de comer a quem tem fome.
  2. Dar de beber a quem tem sede.
  3. Vestir os nus.
  4. Dar pousada aos peregrinos.
  5. Visitar os enfermos e encarcerados.
  6. Remir os cativos.
  7. Enterrar os mortos.

 

11. Obras de misericórdia espirituais

  1. Dar bom conselho.
  2. Ensinar os ignorantes.
  3. Corrigir os que erram.
  4. Consolar os aflitos.
  5. Perdoar as injúrias.
  6. Sofrer com paciência as fraquezas do próximo.
  7. Rogar a Deus pelos vivos e defuntos.

ou

  1. Dar conselho a quem precisa.
  2. Instruir os ignorantes.
  3. Corrigir os que erram.
  4. Confortar os que sofrem.
  5. Perdoar os que nos ofendem.
  6. Ser paciente com os outros.
  7. Rezar pelos outros.

 

12. Como batizar em caso de emergência

Derrame água comum na fronte (não nos cabelos) da pessoa a ser batizada, e diga enquanto derrama a água: “Eu te batizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.

Nota: Qualquer pessoa pode e deve batizar em caso de necessidade; deve ser a mesma pessoa que diz as palavras enquanto derrama a água.

 

13. Como preparar a visita do sacerdote ao doente (Confissão, Comunhão, Unção dos Enfermos)

(Cuide de chamar o sacerdote sempre que um parente ou amigo ficar gravemente enfermo. Não se deve esperar até que a pessoa esteja em perigo de morte).

Cubra uma pequena mesa com uma toalha. Se possível, coloque a mesa perto da cama ou da poltrona do doente. Coloque um crucifixo e duas velas acesas sobre a mesa.

Se você a tiver, coloque água-benta e uma bandeja com dois pedaços de algodão. Para a Santa Comunhão prepare um copo d’água e uma colher.

Quando chegar o sacerdote, receba-o à porta com uma das velas acesas e conduza-o ao doente. Retire-se do quarto se o doente quiser se confessar. Depois da confissão, volte para participar das orações.

 

14. Tempos litúrgicos do ano

Pela liturgia se exerce a obra da nossa redenção. Ela é “o modo mais excelente para que os fiéis exprimam em suas vidas e aos outros manifestem o mistério de Cristo, e a genuína natureza da verdadeira Igreja…” (Constituição Sacrosanctum Concilium sobre a Liturgia, nº 2). A Liturgia é “o cume para o qual tende a ação da Igreja e, ao mesmo tempo, é a fonte donde emana toda a sua força” (Ib., nº 10).

Em dias determinados no decurso do ano, a Igreja celebra a memória de nossa Redenção por Cristo. Durante o ano, todo o mistério de Cristo é revelado. A Igreja o faz numa seqüência, durante os vários tempos do ano litúrgico.

Advento: Este tempo começa quatro semanas (ou pouco menos) antes do Natal. (O dia inicial é o domingo que cai no dia 30 de novembro ou mais próximo deste dia).

Tempo de Natal: Este tempo vai do Natal até o domingo após a Epifania, ou após 6 de janeiro, inclusive. (O período entre o fim do tempo do Natal e o início da Quaresma pertence ao Tempo Comum do ano).

Quaresma: O tempo penitencial da Quaresma começa na quarta-feira de cinzas e vai até a Páscoa. A última semana é chamada Semana-Santa, e seus três últimos dias constituem o Tríduo Pascal.

Tempo Pascal: Este tempo, cujo tema é a ressurreição do pecado para a vida da graça, dura cinqüenta dias, e vai da Páscoa até Pentecostes.

Tempo Comum: Este tempo compreende as trinta e três ou trinta e quatro semanas durante o ano quando não se celebra nenhum aspecto particular do mistério de Cristo. Abrange não só o período entre o fim do tempo do Natal e o começo da Quaresma, mas também todos os domingos depois de Pentecostes até o último sábado do ano litúrgico.

Facebook Comments