Muita gente anda com medo de tudo quanto é símbolo que está em uma ou outra listinha de “símbolos da Nova Era”, como se meia dúzia de rabiscos pudesse fazer mal a alguém.

É mais um caso de bestialógico protestante ensandecido. Se algum energúmeno usar este símbolo com este sentido evidentemente está pecando gravemente. Um símbolo, porém, simboliza (não realiza nem aponta) aquilo que se deseja que simbolize. Símbolo não é sinal. O sinal é aquilo que ao simbolizar aponta haver algo; fumaça é sinal de fogo, por exemplo. Um símbolo, porém, é algo que só simboliza uma coisa por haver um desejo de que aquilo simbolize esta coisa (já me veio gente achando que o símbolo d’A Hora de São Jerônimo simbolizava extremo amor pelo time do Vasco…), ou no máximo um consenso social em torno daquele simbolismo. A suástica, por exemplo, simboliza no Ocidente o nazismo; foi ele que fez este símbolo famoso. Nas religiões naturais do Sudeste Asiático e do Subcontinente Indiano, porém, a suástica é símbolo da “fuga da roda da vida”, da ruptura do suposto círculo de reencarnações que seria feita por quem tenha alcançado um determinado grau de santidade. Assim, é comum encontrar suásticas encimando túmulos, como símbolo da esperança dos familiares e descendentes do falecido de que esta pessoa não mais viesse a se reencarnar. Ora, este sentimento, ainda que errôneo em sua doutrina religiosa subjacente, etc., etc., é contudo um bom sentimento: é uma leitura natural (ou seja, sem o auxílio da Graça, da Revelação, etc.) da preocupação natural que todos temos com os falecidos; é a maneira que um pagão tem de procurar interceder pelas almas dos falecidos, uma versão natural da oração pelas almas do Purgatório.

Era contudo comum que soldados ocidentais, da Segunda guerra para cá, vissem naqueles símbolos uma indicação de adesão ao nazismo. Nada poderia estar mais distante disso! Na ponte aérea sobre o Himalaia (no final da Segunda Guerra Mundial eram levados por ela suprimentos e munição para os soldados de Chiang Kai-Shek, que lutava contra a ocupação japonesa da China) houve alguns casos de aviadores que caíram no Tibete e, ao verem-se cercados por suásticas, entrincheiraram-se ao invés de pedir ajuda aos habitantes. Eles achavam que haviam caído em território nazista! O mesmo ocorreu no Vietnã, quando muitos soldados americanos destruíram cemitérios devido às suásticas que encimavam os túmulos (o que não foi, evidentemente, algo que ajudou a conquistar o coração da população civil…).

Ora, a suástica, para os americanos ou ingleses, tinha um sentido completamente diferente do sentido que lhe era dado pelos nativos. O sentido de um símbolo é dado por quem o usa ou por quem o lê. Assim, sem cair no erro de dar ouvidos aos delírios persecutórios de protestantes, devemos evitar apenas os símbolos que tenham uma leitura univocamente (ou ao menos predominantemente) incompatível com a Sã Doutrina. Não há absolutamente nada de errado em simbolizar o judaísmo com uma estrela de Davi, por exemplo, ou mesmo em usar um colar com a estrela de Davi como forma de expressar apoio ao Estado de Israel; o sentido é bastante óbvio, e não se deve dar força a puritanismos e escrúpulos desordenados da parte de protestantes formais ou materiais.: fazê-lo já seria prestar adesão ao sentido que se quer dar a eles (ou seja: se alguém acha que um símbolo de uma “religião” demoníaca atrai demônios, já está aceitando os pressupostos desta “religião”e , de certa forma, prestando culto a estes demoônios por acreditar no que é pregado em nome deles).

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