Vejam só que curiosa nota de pé de página encontrei em minhas leituras:

– “Os gentios e, ainda hoje, alguns judeus ortodoxos jejuam em luto porque esta tradução [=a Septuaginta] contribuiu de maneira especial para a difusão do Evangelho”[1].

Não é um claro testemunho de que a Bíblia Católica (contendo os deuterocanônicos) é a Bíblia de Deus, que os primitivos cristãos utilizavam?

E se para tais judeus é causa de tristeza, para nós, verdadeiros seguidores de Nosso Senhor Jesus Cristo, é motivo de muito álacre!

Que os primeiros cristãos faziam largo uso dos livros deuterocanônicos, em conformidade com a tradução dos Setenta, isto é fato histórico, reconhecido até mesmo por historiadores protestantes, como J.N.D. Kelly.

Assim, nos diz o ex-protestante, James Akin:

– “O uso dos deuterocanônicos é evidente ao longo da história da Igreja. O historiador protestante J.N.D. Kelly escreve: ‘Deve ser observado que o Antigo Testamento admitido como autoridade na Igreja era algo maior e mais compreensivo que o Antigo Testamento protestante (…) ele sempre incluiu, com alguns graus de reconhecimento, os chamados ‘apócrifos’ ou ‘deuterocanônicos””.

A razão para isso é que o Antigo Testamento que passou em primeira instância para as mãos dos cristãos era… a versão grega conhecida como Septuaginta… a  maioria das citações nas Escrituras encontradas no Novo Testamento são baseadas nelas, obtendo preferência sobre a versão hebraica… Nos primeiros dois séculos, parece que a Igreja já aceitava como inspirados todos ou a maioria destes livros adicionais, tratando-os sem dúvida como Escritura Sagrada. “Citações de Sabedoria, por exemplo, ocorre em  Clemente e Barnabé; Policarpo cita Tobias; e a Didaqué cita Eclesiástico. Irineu faz referência à Sabedoria; à história de Susana, Bel e o dragão (que constam no livro de  Daniel); e Baruc. O uso dos deuterocanônicos por Tertuliano, Hipólito, Cipriano e Clemente de Alexandria é tão frequente que referências detalhadas são necessárias”[2].

Espero que estas poucas linhas colaborem para o engrandecimento da defesa da Divina Fé Católica. Principalmente, para fazer frente a uma famigerada planfetagem que, dentre outras coisas, inveridicamente ensina que os deuterocanônicos teriam sido canonizados só lá pela época do Concílio de Trento (no século XVI), com o intuito de opor-se ao Protestantismo incipiente (e se fosse assim como dizem os hereges protestantes, já seria um ótimo motivo para alguém canonizá-los, mesmo que tardiamente; porque é sempre justo e santo combater as impiedades doutrinárias do Protestantismo!). Mas, o fato, é que vários séculos antes de surgir o primeiro protestante sobre a face da Terra, a Igreja de Deus já havia declarado os tais livros como inspirados.

Quero citar, aqui, o testemunho de conversão de nosso irmão na Fé, Alessandro Ricardo Lima, registrado no precioso livro de Jaime Francisco de  Moura:

– “Não me faltou ódio à Igreja Católica. Tive acesso a vários folhetos que ‘revelam’ as ‘mentiras’ do Catolicismo e me empenhei muito em estudá-los e divulgá-los. E nestas minhas pesquisas e estudos, a Providência Divina cuidou que eu encontrasse o Site Agnus Dei. O primeiro artigo deste site que abri foi um intitulado ‘Concordância Bíblica’, de autoria do Professor Carlos  Ramalhete. O artigo tratava da concordância bíblica que existia na doutrina dos Sacramentos; mas uma frase deste artigo me chamou muito a atenção: ‘A  Bíblia é filha da Igreja e não sua mãe’. Nossa! Fiquei iracundo com aquilo, pois como um protestante que tinha a ‘Sola Scriptura’ correndo nas veias poderia dormir com um barulho daquele? Entrei em contato com o referido Professor e com o Carlos Martinhs Nabeto, que era o criador do site (…) Comecei a travar com eles uma série de debates. Comecei a me assustar quando me deparava com os Escritos Patrísticos, pois lá via que os primeiros cristãos confessavam o Catolicismo e não as novidades trazidas com a Reforma (…) Comecei a ver que o que me ensinavam no Protestantismo não era a doutrina católica, mas uma caricatura dela. O fato decisivo foi quando apresentei aos referidos irmãos um material que dizia que a Igreja incluiu os livros ‘apócrifos’ na Bíblia durante o Concílio de Trento, que me rebateram me mostrando fragmentos de atas conciliares onde a Igreja, já a mais de 1000 anos antes desta data, já havia canonizado tais livros; me deram como referência a Bíblia de  Guttemberg[3], que era anterior à Reforma, e já incluía tais livros. Como trabalhava no Centro do Rio, fui à Biblioteca Nacional a fim de conhecer a Bíblia de Guttemberg. Vendo os microfilmes, pude constatar que o material protestante que estava em minhas mãos e que eu divulgava como sendo luz e guia da Verdade, era mais uma obra do Maligno. Foi neste dia que, com muita tristeza por ter perseguido a Igreja de Deus, me converti ao Catolicismo”[4].

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NOTAS

[1] LIFSCHITZ, Daniel. “Haja Luz: Hagadá sobre o Gênese 1”. São Paulo: Paulinas, 1998, p. 121, nota 14. [2] “Doutrina Cristã Antiga”, pp. 53-54; cf. http://www.veritatis. com.br/artigo.asp?prolib=825. [3] A Bíblia de Guttemberg foi impressa cerca de 100 anos antes do  Concílio de Trento. Quando ela foi impressa, Martinho Lutero, sequer, havia  nascido. [4] MOURA, Jaime Francisco de. “Por que estes ex-Protestantes se tornaram Católicos”. São José dos Campos: ComDeus, 1ª ed., 2003, pp. 49-50.

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