• Autor: Carlos Martins Nabeto

As Testemunhas de Jeová são conhecidas por não celebrarem o Natal, dada “a sua origem pagã”. Também por causa deste “argumento”, são radicais em combatê-lo, motivando ainda que outras denominações protestantes façam exatamente o mesmo, com base nesta argumentação, ainda que sem citá-los textualmente.

Mas “no princípio”, não era assim: a Sociedade Torre da Vigia comemorava o Natal e ainda afirmava aos seus seguidores que podiam se unir ao mundo para celebrar o Natal por respeito a Jesus, apesar de a data de 25 de dezembro não ser a do real seu nascimento – afirmação esta que também não encontra respaldo bíblico, tradicional ou arqueológico.

Deste modo, a revista “The Zion’s Watchtower and Herald of Christs Presence” (antecessora de “A Sentinela”), de 01 de dezembro de 1904, página 304, edição em inglês, declarava expressamente:

  • “Even though Christmas day is not the real anniversary of our Lord’s birth, but more properly the annunciation day or the date of his human begetting (Luke 1:28), nevertheless, since the celebration of our Lord’s birth is not a matter of divine appointment or injunction, but merely a tribute of respect to him, it is not necessary for us to quibble particularly about the date. We may as well join with the civilized world in celebrating the grand event on the day which the majority celebrate: Christmas day”.

ou seja:

  • “Ainda que o dia de Natal não seja o real aniversário do nascimento de nosso Senhor, mas mais apropriadamente o dia do anúncio ou a data de sua geração humana (cf. Lucas 1,28), no entanto, já que a celebração do nascimento de nosso Senhor não é uma questão de citação divina ou uma ordem judicial, mas apenas uma homenagem respeitosa para com Ele, não é necessário para nós discutirmos particularmente sobre essa data. Podemos também nos unir com o MUNDO CIVILIZADO para celebrar o grande evento no dia em que a maioria celebra: o Dia de Natal (grifos nossos).

Para variar, temos hoje mais um movimento contraditório no ensino desta denominação religiosa, o que já não nos causa mais espanto dada a quantidade de “reajustes” e “idas e vindas” que fizeram em seus ensinamentos desde que tiveram origem, no final do século XIX. Ontem sim, hoje não; e amanhã?

Lembre-os disto quando vierem bater na sua porta neste Natal, pois muito provavelmente não foram informados acerca disso pela sua atual liderança!

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