Perguntaram-me como provar para uma pessoa que não acredita na Revelação que todo o bem que ela faz provém de Deus. Respondi que:

Perguntando para ela o que é um bem. Será que um bem é simplesmente aquilo que lhe agrada? Se for o caso, matar e roubar pode ser considerado um bem pelo ladrão. Será que é fazer aquilo que agrada ao próximo? Se for o caso, dar um galão de cachaça para um cachaceiro ou um quilo de cocaína para um drogado seria um bem, pois ele certamente ficará felicíssimo.

Todo bem, para que seja realmente um bem, deve sim refletir um Bem maior, e conduzir a Ele. Dar cachaça para o cachaceiro, roubar, etc., não reflete nem um Bem maior nem a Ele conduz. O que é um bem é o que está de acordo com uma ordem natural, que é boa. O que faz um homem ser bom é inserir-se nesta ordem e procurar ordenar tudo o mais que há (dando ao cachaceiro comida, ao drogado amparo e tratamento, ao criminoso punição…). Ora, uma ordem não pode vir do acaso. Toda ordem, toda organização, depende de quem a ordenou, de quem a organizou. Uma cobra que morde precisa ter veneno e resistência ao seu próprio veneno ao mesmo tempo, por exemplo. Isto depende de um “projeto de engenharia”, de uma ordem.

Quem poderia ser o autor desta ordem? Quem poderia ter ordenado tanto o vôo dos pássaros quanto o movimento dos intestinos e as leis naturais, cujo cumprimento pelo homem é o que chamamos de um bem? Só Alguém que seja antes que tudo isso seja, Alguém que tenha concebido e criado tudo o que há. Este alguém é Deus.

Quando se nega Deus, não há saída senão afirmar que é justo, que é bom, tudo aquilo que é definido em lei humana como justo e bom. Isso obriga a considerar o assassinato de seis milhões de judeus como bom, pois Hitler não violou nenhuma de suas próprias leis, estabelecidas quando ele chegou ao poder na Alemanha como Chanceler eleito democraticamente. Isso obriga a considerar que seja justo e bom qualquer coisa que um bando de políticos, agindo em defesa de seus próprios interesses, considere justo e bom e imponha como lei.

Vimos então que um bem é algo que está de acordo com esta ordem querida por Deus. Não é possível “escapar de Deus” nesta equação. 🙂

Vejamos então a nossa natureza. Basta examinarmos nosso próprio comportamento para percebermos que tendemos a fazer o mal, que é sempre mais fácil e mais atraente fazer o mal. Ora, a imensa maioria das pessoas, a maior parte do tempo, não faz o mal. Mesmo sentindo vontade de matar, não mata. De estuprar, não estupra. De roubar, não rouba. E isso mesmo em circunstâncias em que estes crimes não seriam descobertos e punido pelos homens! O que pode explicar este comportamento, este domínio da razão sobre os impulsos, senão algo exterior ao homem que o auxilia a agir de forma ordenada, apesar de sua tendência e facilidade em fazer o mal? Este “algo” exterior é a graça de Deus. Cachorros, passarinhos e peixes não precisam (e nem poderiam fazer uso) desta graça, pois seus instintos os dominam completamente. O homem precisa dela, e a tem abundantemente.

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