Espaço do Leitor

Angustiado, leitor com tendência homossexual pede ajuda

Tenho uma dúvida que me atormenta constantemente. (Vivo por vezes em grande desespero por causa dela.)

Acredito ter desde muito pequeno a tendência homossexual, pois de todo o coração, não tenho nenhum desejo sexual, afetivo e amoroso por mulheres.  Hoje tenho 23 anos e desde os 14, nunca mais tive contato de espécie sexual com ninguém, nem com homem e nem com mulher. Estas poucas paixões que tive em meus 23 anos de vida, sempre me trouxeram imensos sofrimentos, sabendo que jamais poderia suprir meus desejos com a outra pessoa. Sinto sim um desejo e uma vontade de beijar, abraçar, sinto falta de companheirismo de um outro rapaz por exemplo, mas jamais poderia dar consentimento a estes desejos, porque sei que sofreria duplamente por estar contra a vontade de Deus e contra a minha própria consciência como nos tempos que sofri arrependimento na infância. Agora respeitando a Santa Mãe Igreja e conhecendo melhor a Sagrada Escritura, sinto a necessidade de viver até minha morte o celibato. Isto não me parece impossível, porque verdadeiramente é para mim motivo de verdadeira e esperançosa alegria. Compreendo que não é só porque a Igreja pede, ou a Palavra de Deus que manda, mas por mim mesmo não quero sofrer pecando, prefiro sofrer lutando. Deste modo sofro vitorioso e não derrotado. Este problema para mim já está encerrado com chaves de ouro. O problema de tudo isso explicarei agora: “Eu li no primeiro capítulo da Carta de São Paulo aos Romanos que Deus entregou os gentios aos desejos dos seus corações para que desonrassem seus corpos. Que os homens e as mulheres mudaram as suas relações naturais cometendo a torpeza homens com homens e mulheres com mulheres. E como Deus os entregou aos “sentimentos depravados”, eles então estariam em procedimento indigno. (Rm 1,24-32). Depois vejo na primeira Carta de São Paulo aos Coríntios, que todo aquele que comer e beber indignamente do Corpo e do Sangue do Senhor, come e bebe para si a condenação. (1Cor 11,27). Eis ai o motivo de toda a minha inquietação, preocupação e desespero constantes.  Sinto em mim grande desejo de me tornar santo, e chegar com a graça de Deus a perfeição cristã. Sei que Deus me ama e que Deus é Amor e Misericórdia, mas perante esta minha condição, parece-me impossível voar para a Pátria do Céu, para junto de Jesus, seus anjos e seus santos. Por vezes em minha tão grande ignorância penso comigo: seria eu um descendente dos gentios? Será que isto que sinto sem querer, seria algum tipo de castigo? Pois certo que não. Pois Deus não faz distinção de pessoas e chama todos à salvação. Ele é Amor e Misericórdia.

Ajudem-me por favor. Ajudem-me a entender estas passagens bíblicas que para mim tornam-se motivo de desespero.

Creio que Deus me deu grande força para superar e carregar esta cruz, posto que se fosse ouvir vários Padres de minha cidade, já teria certamente me perdido a muito tempo. Porque todos me disseram que não seria pecado namorar outro rapaz, alegando que não pode haver pecado onde existe amor.

“porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo” (São Lucas 1,49).

Caríssimo leitor, é com grande alegria e júbilo que acolhemos o vosso contato, e na doce presença de Maria, queremos invocar as bençãos do Senhor para que as maravilhas da graça que vemos em vossa vida sigam convosco até o fim. Sim, o Senhor está a realizar em tí verdadeiras maravilhas, prodígios de profunda conversão e de santidade que são as mais belas de se ver. A docilidade, essa virtude de quem é humilde na busca da Verdade e da Sabedoria, presente em vós, confirma isso.

Não é hora de desespero, nem de lágrimas de tristeza, pelo contrário, é hora de paz e de confiança, de se entranhar nas misercórdias do Senhor, “Porque não temos nele um pontífice incapaz de compadecer-se das nossas fraquezas. Ao contrário, passou pelas mesmas provações que nós, com exceção do pecado” (Hebreus 4,15). Com Cristo temos um Deus capaz de se compadecer das nossas fraquezas, e pronto a repor o vinho da graça todas as vezes em que sentirmos que dele não mais dispomos; n’Ele nós podemos descansar.

Para que tenhamos base para refletirmos juntos sobre vossa condição com serenidade e maturidade, será conveniente retomarmos a motivação cristã acerca da incompatibilidade da prática homossexual à dignidade do homem, que depois servirá como sustento intelectivo para vossa caminhada ascética.

Deus nos fez todos a sua imagem e semelhança. Ora, se sabemos que Deus é amor, que é plena comunhão na Trindade Santa, sabemos também que o ser humano está vocacionado por natureza própria à busca de uma união que preencha sua vida e que o habilite a dar e expressar amor. Se Deus não é só, mas a comunhão perfeita de 3 pessoas, também nós, reflexos do Criador, necessitamos de comunhão. Eis porque narras com tanta dor a vossa busca incansável por união. E é natural que seja assim mesmo.

Sabemos inclusive, que Deus desenhou o homem e a mulher para uma entrega de união, conforme o próprio Papa João Paulo II nos ensinava por sua Teologia do Corpo. Ele não precisava que a humanidade estivesse dividida entre homens e mulheres, mas o fez justamente para que por uma comunhão de ambas identidades sexuais, a vida se espalhasse sobre a terra e o homem vivesse cercado de comunhão. Por isso Deus deu ao homem um pênis e a mulher uma vagina, orgãos genitais complementares, preparados para no momento do orgasmo, darem caminho ao nascimento de novas vidas. Por isso Deus deu ao homem e a mulher características em todas as suas dimensões física/espiritual/psiquíca sempre tão complementares.

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Pois bem, a mera observação da natureza humana nos afirma que no ato sexual estão em jogo duas funções que a justificam: a união e a procriação. Nem se justifica o ato sexual apenas pela união, nem apenas pela procriação: a natureza fez ambas finalidades inseparáveis em todas as instâncias. Se não fossem por elas, Deus não teria nos dado essa faculdade.

O grande problema da prática homossexual portanto não é a pessoa que carrega essa tendência em sí, mas a ausência de ambas finalidades do ato sexual. Por uma questão fisiológica, anatômica, a relação homossexual não pode cumprir a finalidade unitiva nem tampouco a finalidade procriativa. Não há qualquer abertura a vida, nem complementariedade; não há o que justifique tais relações portanto e ponto. O complexo e profundo significado do ato sexual não acontece e não se sustenta, carece de razões.

E aqui é importante salientar que carece de sentido (portanto diminuindo o ser humano) todas as práticas sexuais que rejeitam uma ou ambas finalidades do ato sexual. Novamente, o problema não é ter a tendência homossexual. Tanto que se um casal heterossexual lança mão do uso de contraceptivos (que inibem a função procriativa) ou de fecundação artificial in vitro (que dispensa a função unitiva), estão também em situação de ofensa a dignidade humana. Na mesma situação se coloca um heterossexual que se masturba buscando o prazer sem união e sem abertura a vida. Compreendes?

São por esses motivos que a Igreja Católica insiste em afirmar que não é pecado ter a “tendência” homossexual. Tendência e prática são questões muito diferentes. Uma pessoa pode ter tendência a se alcolizar e não cair na bebedeira. Um jovem pode ter uma tendência à preguiça e mesmo assim acordar no horário. Tendências, impulsos, inclinações são forças que muitas vezes não se escolhem ter, mas que podem justamente fazer em nós nascer a grandeza ou a baixeza, a virtude ou o vício, o heroísmo ou a escravidão a partir do consentimento que damos a elas. Com efeito Deus nos dotou de um livre-arbítrio que nem o demônio e nem Ele mesmo podem dobrar sem nosso consentimento. É esfera sagrada.

A Igreja sempre teve razão em ensinar que se grande é a cruz que carregamos, maior ainda é a graça Daquele que nos chama a acompanhá-lo de perto. Vives em vossa carne um grande sofrimento, nem por vós escolhido, nem por vós merecido, mas que se aceito por amor de Deus, por amor das almas, se converterá em uma enorme ocasião de santificação. Santa Terezinha dizia que se o Pai deu a cruz ao seu maior amado, Jesus Cristo, confiaria também aos seus prediletos na terra este mesmo instrumento de santificação.

Pois bem, visto isso podemor afirmar que vosso amor a Cristo e a Igreja não devem jamais ser abalados por sua tendência homossexual. Novamente: ter tendência homossexual não é pecado. O pecado acontecerá somente na prática do ato homossexual pelas razões já expostas. Vejamos o que nos diz o Catecismo a esse respeito:

§2357 – “A homossexualidade designa as relações entre homens e mulheres que sentem atração sexual, exclusiva ou predominante , por pessoas do mesmo sexo. A homossexualidade se reveste de formas muito variáveis ao longo dos séculos e das culturas. A sua gênese psíquica continua amplamente inexplicada. Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações graves (Gn 19,1-29; Rm 1,24-27; 1Cor 6,9-10; 1Tm 1,10), a tradição sempre declarou que “os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados” (CDF, decl. Persona humana, 8). São contrários à lei natural. Fecham o ato sexual ao dom da vida. Não procedem de uma complementaridade afetiva e sexual verdadeira. Em caso algum podem ser aprovados”.

Veja como a consideração da Igreja se apóia justamente nas questões funcionais do ato sexual e não na pessoa em sí. A Igreja está a considerar portanto o ato sexual diante de suas finalidades e sentidos, justamente os únicos elementos que podem fazer dele uma prática realmente digna do ser humano.

§2358 – “Um número não negligenciável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais inatas. Não são eles que escolhem sua condição homossexual; para a maioria, pois, esta constitui uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á para com eles todo sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar a vontade de Deus na sua vida e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar por causa da sua condição”.

Veja que bela oportunidade a Igreja de Cristo vê na pessoa que vivencia essa tendência: a de ser santo. Como? Justamente através de uma continua entrega de suas dificuldades unindo seus sofrimentos a própria Paixão de Jesus, participando ativamente assim da co-redenção do mundo com Cristo. Essa caminhada ascética deverá necessáriamente se encontrar com a vivência das virtudes, em especial a virtude da castidade:

§2359 – “As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes de autodomínio, educadores da liberdade interior, às vezes pelo apoio de uma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem se aproximar, gradual e resolutamente, da perfeição cristã.”

Estás vocacionado portanto a perfeição cristã, a plena imitação de Cristo em vossa vida. E pela prática da virtude da castidade poderá chegar a este intento. Poderás, como Cristo divinamente aconselhou, fazer-se eunuco pela causa do Reino de Deus e já prefigurar assim a vida celeste, aquela na qual tomos seremos irmãos e irmãs. Poderás como milhares e milhares de santos e santas na história da Igreja se fazer irmão dos anjos, e pela pureza de coração ver a Deus. A castidade, caro irmão, será o maior sinal de que encontrastes a união que tanto buscastes durante a vida, só que agora com o próprio Senhor.  Vossa felicidade então será invencível, pois virá do próprio Amor encarnado. E pelas vossas belas palavras, já estás vivendo desse Amor:

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“Agora respeitando a Santa Mãe Igreja e conhecendo melhor a Sagrada Escritura, sinto a necessidade de viver até minha morte o celibato. Isto não me parece impossível, porque verdadeiramente é para mim motivo de verdadeira e esperançosa alegria. Compreendo que não é só porque a Igreja pede, ou a Palavra de Deus que manda, mas por mim mesmo não quero sofrer pecando, prefiro sofrer lutando. Deste modo sofro vitorioso e não derrotado. Este problema para mim já está encerrado com chaves de ouro.”

Sofrer lutando, sofrer vitorioso, que belas expressões caríssimo leitor! És muito especial, és sem dúvida vocacionado à dignidade dos altares. Vês claramente como a cruz que padece começa a se tornar instrumento de redenção e de elevação? Me faz lembrar as palavras de João Paulo II “a cruz se transforma também em símbolo de esperança. De instrumento de castigo, passa a ser imagem de vida nova, de um mundo novo”. Um mundo novo vos espera caríssimo, um mundo de paz e de felicidade eterna, que começa aqui.

Por essa sua decisão em voar ao céu pela prática das virtudes e dos sacramentos, por levar uma vida limpa e pura é que não existem razões para se inquietar com as advertências de São Paulo nas cartas aos Romanos. Lá, ele estava a condenar a prática, o comportamento, e não a tendência ou a inclinação homossexual. Sossegue vossa alma portanto, repouse vossa cabeça sobre os ombros de Nosso Senhor sem medo algum.

Quanto as opiniões dos padres da vossa cidade, diga a eles todos que deves primeiramente Amor a Deus sobre todas as coisas, e que por isso mesmo, por Amar tão loucamente a este Deus, já não podes se entregar a tendências e inclinações que ofendem ao Criador por reduzir tanto Sua própria criatura. Sigas em frente, conheces a Verdade, e a Verdade te faz livre.

Antes de finalizar, por ser uma questão pertinente, gostaria de lhe falar sobre Gerard van den Aardweg, PhD Em Psicologia pela Universidade de Amsterdam (Holanda), escritor de inúmeros livros (um deles você precisa ler, chamado “A Batalha pela normalidade sexual”) baseados em trinta anos de acompanhamento com homossexuais. Este homem afirma convictamente que a tendência homossexual não provém de heranças ou traços genéticos, mas de uma dificuldade na fixação psiquico/afetivo da criança para com seu modelo ideário paternal e maternal:

Muitos homossexuais, por exemplo, tiveram uma mãe superprotetora, ansiosa, preocupada, ou dominadora, ou que os admirou ou mimou excessivamente. Seu filho era “o bom menino”, “o menino obediente”, “o menino bem-comportado”, e muitas vezes um menino psicologicamente retardado em seu desenvolvimento, sempre visto como “um bebê” por um período excessivamente longo. E o futuro homossexual masculino em parte permaneceu esse filhinho da mamãe. Porém, uma mãe dominadora, que vê em seu filho um “homem de fato” e quer tomá-lo um homem, não há de produzir um “efeminado”. O mesmo se aplica à relação pai-filha. É a mãe dominadora (superprotetora, superansiosa etc_ que não soube como fazer um homem de seu menino, que sem querer contribuiu para a sua malformação psicológica. Muitas vezes, não teve a idéia certa do que significa fazer um homem de um menino, talvez por faltar bons exemplos em sua família. Ficou ansiosa em fazer dele um modelo de menino bem comportado ou em prendê-lo a si ao ficar sozinha e muito insegura (como a mãe que manteve o filho em sua cama até a idade dos doze anos).” (pg. 35)

É muito provável que tenha passado por essas dificuldades traumáticas em vossa infância com vossas figuras paternas e tenha tido portanto uma grande dificuldade em seguir o desenvolvimento natural de vossa afetividade. Há que se buscar portanto o acompanhamento de um bom psicológo cristão/católico, que lhe ajude a desvendar as causas primeiras deste desvio afetivo sem deixar de lado vossa dimensão integral, incluindo a espiritualidade. Se tiver a oportunidade eu lhe indico a terapia ADI, Abordagem Direta ao Inconsciente, da psicóloga Renate Jost de Moraes (http://www.fundasinum.org.br) que narra no seu livro “As chaves do inconsciente” o drama vivido por muitos homens com tendências homossexuais justamente por causas inconscientes, mas muito presentes e tratáveis.

Coloco ainda algumas palavras de alento do prof. Felipe Aquino, que tem feito um grande trabalho de apoio e ajuda a todas as pessoas que como você, carregam essa cruz da tendência homossexual:

“É preciso também  tomar  consciência de que você não é o único a carregar um problema difícil. Todo ser humano tem o seu; pode ser até o extremo oposto ao seu, ou seja, uma excessiva atração pelo outro sexo. – Isto nos proporciona a ocasião de lutar contra tendências desregradas; é precisamente na luta que alguém se faz grande. Não fora a luta, ficaríamos sempre com nossa pequena estatura espiritual. Por conseguinte assuma corajosamente sua tarefa de não ceder aos desvios sexuais.

Convido-o, como amigo e irmão em Cristo, a viver a Sua Lei, e você será feliz, mesmo que isto custe muito; quanto mais for difícil, mais mérito você terá diante de Deus.  Você, tal como é, é chamado por Deus à santidade. Ele tem as graças necessárias para levar você à perfeição cristã. Os Santos não foram de linhagem diferente da nossa, tiveram seus momentos difíceis, mas conseguiram vencer com o auxílio de Deus.

Pode ser que você não deixe de ter a tendência homossexual, como o alcoólatra não deixa de ter a tendência ao alcoolismo, mas você pode, com o auxilio da Graça de Deus, vencer-se-a-si-mesmo sempre. E receberá de Deus a recompensa, pois você vai agradar muito a Deus. E assim você será feliz, mesmo já aqui neste mundo, porque a Palavra de Deus não falha. Não há outro caminho verdadeiro de felicidade para você, esteja certo disso.  Mesmo que você caia não pode desanimar e nem se desesperar; não, deve buscar a Confissão com um padre amigo e que te ajude; e vá
em frente. Mais importante do que vencer para Deus, é lutar sempre sem  nunca desanimar.

Busque ajuda num amigo que você confia, e também procure ajuda nos seus pais e na sua família; abra-se com eles se eles podem te entender e ajudar.

Procure sublimar seus impulsos naturais dedicando-se ao esporte e à arte (poesia, música, pintura…) ou a uma tarefa que lhe interesse ou mesmo ao trabalho profissional. Lembre-se de que sentir tendências homossexuais não é pecaminoso, caso não se lhes dê consentimento. O mal consiste em consentir-lhes.

Não se feche em si mesmo ou no isolamento. A solidão, no caso é prejudicial. Se você leva uma vida digna, tenha a cabeça erguida e aborde a sociedade com normalidade. E jamais abandone a sua prática religiosa. Sem Deus todo fardo se torna mais pesado. Não há por que abandonar a prática religiosa se o homossexual se afasta das ocasiões de pecar. A Igreja recomenda aos seus pastores especial atenção aos homossexuais. Eles precisam de sua ajuda.”

Ainda gostaria, como conselho prático, de lhe indicar uma fonte constante de formação moral e espiritual de qualidade na participação (ainda que virtualmente por enquanto) do apostolado Courage. Este apostolado é formado por católicos praticantes e já está presente em vários países no mundo e tem como objetivo principal ajudar à pessoa com tendência homossexual a transcender esse estado de sofrimento afetivo mediante a prática da castidade e da formação de grupos de apoio. O web site deles é <http://www.courage-latino.org> e lá poderá encontrar artigos, livros, material de formação, testemunhos de pessoas que como você desejaram enfrentar a tendência homossexual e tiveram sucesso, além de todos os passos para poder até montar um grupo deste apostolado na sua região.

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Gostaria mais uma vez de reiterar o nosso desejo de que prossiga decididamente dentro da vivência da fé e da moral católica que são as únicas capazes de nos fazer verdadeiramente livres e felizes. Tenha a certeza de que não sofres sozinho e sempre que precisar, escreva-nos, ajudaremos no que for possível. Jamais deixe de buscar com frequência do sacramento da penitência, e quiçá diariamente, do sacramento da eucaristia, para se unir cada dia mais do Senhor que Lhe chama para a santidade e para a felicidade. Dar a vossa alma a presença constante do Senhor será para vós motivo de consolo e sublimação constante em vossas dificuldades.

Encerramos este contato pedindo a proteção da Sempre Virgem e Mãe, a Bem Aventurada Virgem Maria, de seu castíssimo Esposo, São José e de São JoséMaria Escrivá, a quem deixo essa bela meditação sobre a beleza da pureza:

“Contra a vida limpa, a pureza santa, levanta-se uma grande dificuldade a que todos estamos expostos: o perigo do aburguesamento, na vida espiritual ou na vida profissional; o perigo – também para os chamados por Deus ao matrimônio – de nos sentirmos solteirões, egoístas, pessoas sem amor. – Tens de lutar na raiz contra esse risco, sem concessões de nenhum gênero.” (Forja, 89)“Com o espírito de Deus, a castidade não se torna um peso aborrecido e humilhante. É uma afirmação jubilosa: o querer, o domínio de si, o vencimento próprio, não é a carne que o dá nem procede do instinto; procede da vontade, sobretudo se está unida à Vontade do Senhor. Para sermos castos – e não somente continentes ou honestos -, temos de submeter as paixões à razão, mas por um motivo alto, por um impulso de Amor.

Comparo esta virtude a umas asas que nos permitem propagar os preceitos, a doutrina de Deus, por todos os ambientes da terra, sem temor a ficarmos enlameados. As asas – mesmo as dessas aves majestosas que sobem mais alto que as nuvens – pesam, e muito. Mas, se faltassem, não haveria vôo. Gravai-o na vossa cabeça, decididos a não ceder se notais a mordida da tentação, que se insinua apresentando a pureza como um fardo insuportável. Ânimo! Para o alto! Até o sol, à caça do Amor.

(…) Acabo de vos apontar que, para isso, me serve de ajuda recorrer à Humanidade Santíssima de Nosso Senhor, a essa maravilha inefável de um Deus que se humilha até se fazer homem e que não se sente degradado por ter tomado carne como a nossa, com todas as suas limitações e fraquezas, à exceção do pecado. E isso porque nos ama loucamente! Ele não se rebaixa com o seu aniquilamento; pelo contrário, o que faz é elevar-nos, deificar-nos no corpo e na alma. Responder que sim ao seu Amor, com um carinho claro, ardente e ordenado – isso é a virtude da castidade.” (Amigos de Deus, nn. 177-178)

Em Cristo Jesus: