Espaço do Leitor

Quando surgiram os Profetas do Antigo Testamento?

– Gostaria de obter maiores conhecimentos sobre essa parte da história do Antigo Testamento (a era dos profetas), e como surgiram os Profetas. Obrigado! (Pedro).

Prezado Pedro,

Pax Christi!

Nosso grande e respeitável teólogo Dom Estêvão Bettencourt resume muito bem a história do período profético do Antigo Testamento em seu “Curso Bíblico por Correspondência” (Escola Mater Ecclesiae) – que, aliás, muito recomendamos! -, tal como reproduzimos abaixo:

“A palavra profeta não significa necessariamente ‘aquele que prediz o futuro’, mas sempre designa ‘aquele que fala em nome de Deus’, seja para predizer o futuro, seja para interpretar o presente.

Os profetas, assim entendidos, sempre existiram no povo de Israel a partir de Abraão, o confidente do Senhor (cf. Gn 18,17-19). A primeira mulher tida como profetisa é Maria, irmã de Moisés, cf. Ex 15,20. A partir de Samuel (séc. XI a.C.) até Malaquias (séc. V a.C.), a série dos profetas foi ininterrupta. Também na época de Samuel e depois, floresceram os chamados ‘colégios de profetas’ (cf. 1Sm 10,5; 19,20; 1Rs 20,35; 2Rs 2,3.5.7.15; Am 7,14); eram comunidades que viviam em pobreza (cf. 2Rs 4,38s; 6,1-6) e obediência (cf. 1Sm 19,20; 1Rs 22,11; 2Rs 2.3.5.7.15…); os seus membros entravam em êxtase sob o influxo de sugestão individual ou coletiva (cf. 1Sm 10,10-12; 19,20-24), impulsionados por música, canto e dança (cf. 1Sm 10,5; 2Rs 3,15).

Os Profetas exercem papel importante na história de Israel; eram conselheiros dos reis, que os dissuadiam de fazer alianças com povos estrangeiros (pois estas levavam facilmente o povo à idolatria), ou censuravam as injustiças e os abusos cometidos na corte ou pelo povo; reprimiam a idolatria e os falsos cultos que se infiltravam na praxe da população israelita.

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Houve, sem dúvida, falsos profetas: alguns, sem ter chamado divino, se apresentavam como profetas para ganhar dinheiro (cf. 1Rs 22,13; Is 30,10; Mq 2,11; 3,5.11); procuravam justificar os vícios em vez de os censurar devidamente (cf. Dt 18,20-22; Mq 3,5; Jr 28,9); eram negligentes no cumprimento do seu dever (Ez 3,17-21; 13,22s; 33,2-4).

Antes do Exílio (587-538 [a.C.]), os Profetas tinham a missão de mostrar ao povo e aos reis as suas faltas, em virtude das quais o Senhor Deus os entregaria aos estrangeiros; lutavam não só contra os falsos cultos, mas também contra o otimismo que animava os ouvintes com relação ao futuro da nação (cf. Is 22,13s; Jr 21,8s; 28,1-17). Sobressaíam então Isaías, Jeremias, Oséias e Amós.

Durante o Exílio na Babilônia, os Profetas procuraram erguer o ânimo do povo, sustentando-lhe a esperança abatida pelo duro golpe recebido dos estrangeiros. Veja Ezequiel e o chamado “segundo Isaías” (Is 40-55), que acompanharam o povo na Babilônia, cf. Ez 16,1-63; 20,39-44; 36,16-38; Is 45,1-25; 48,20-22; 50,1-11…

Depois do Exílio, Ageu, Zacarias e Malaquias incentivaram o povo a reconstruir o Templo, os muros e a cidade de Jerusalém e a empreender a reforma religiosa, moral e social da comunidade judaica, predizendo a glória do futuro Messias.” (BETTENCOURT, Estêvão. Curso Bíblico por Correspondência. Escola Mater Ecclesiae, módulo 36, p. 145).

Outras informações e detalhes você poderá obter através da leitura atenta das Introduções de cada livro profético do Antigo Testamento, disponíveis nas Bíblias Católicas.

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Que Deus te abençoe