O emprego das palavras “bapto” e “baptizo” na literatura grega clássica

Na literatura grega de Aristófanes encontrmos o vocábulo grego “baptizo” empregado para descrever o ato de tingir a água com o sangue de um sapo, ou para pintar a cara com tinta, ou para manchar a mão ao experimentar uma subtância corante. Em nenhum desses exemplos temos o significado de “mergulhar”, o que significa que no próprio grego clássico não há outro sentido.

Hipócrates diz sobre o líquido corante:

  • “Quando pinga sobre as roupas, estas se tingem”.

Usa aqui a palavra “bapto” não para dar a ideia de “imersão”, mas de “impregnação”.

Ésquilo fala de “uma roupa tingida pela espada de Egisto”; seu pensamento aqui não é o de “imersão”, mas da “transferência” da cor do sangue para a roupa. O conceito é o de “transformação”.

Considere-se ainda o caso em que Hornero fala que Crombófago “caiu e não respirou mais; e o lago ficou tingido de sangue”. O lago não foi submergido! Ao contrário, o lago recebeu o sangue. O mais significativo à vista é o efeito, não o meio específico pelo qual se obteve o efeito.

Platão, escrevendo por volta do ano 400 a.C., em seu “Syinposium”, traz uma discussão sobre como obter o máximo prazer bebendo vinho, porém, com o mínimo dano. Aristófanes confessa para Pausânias sua própria embriaguez anterior: “Porque eu mesmo fui batizado ontem”. Não há aqui nenhuma ideia de imersão, mas de beber em demasia, que conduz da sobriedade à intoxicação. “Baptizo” aqui tem o sentido de “transformação”.

Flávio Josefo, o historiador nascido mais ou menos no tempo da morte de Jesus, contemporâneo mais jovem que Paulo e outros escritores do Novo Testamento, em suas “Antiguidades Judaicas” comenta um incidente relatado em Jeremias 41,2; ele faka de Ismael, que se destacou por sua cordialidade e até sua embriaguez. Josefo escreve:

  • “Percebendo que estava tão afetado e batizado, a ponto de estar anestesiado pelo sono por causa das bebidas fortes, Ismael, levantando-se com os seus dez amigos, esfaqueou Gedalias”.

A ideia é que Gedalias foi reduzido de um estado de defesa vigilante para um absurdo estado de indefesa devido ao álcool. A ideia aqui é simplesmente a de “transformação”.

Como nossos amigos imersionistas podem ver, as provas são fortes. A única coisa que podem fazer é fechar os olhos diante de todas estas provas irrefutáveis sobre as formas de batismo por infusão e aspersão. Se apegar e continuar a limitar tão importante sacramento e torná-lo de difícil acesso para todas as pessoas de boa vontade é coisa digna de uma seita.

Benedicite Deum!

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