• “E ele, respondendo, disse: ‘Aquele que molhou comigo a mão no prato, esse me há de trair” (Mateus 26,23).

Aqui, a palavra grega para “molhou” é “bapto”, e não tem necessariamente o significado de mergulhar o corpo inteiro para tornar efetivo a palavra “batismo”, mas apenas uma parte do corpo (neste caso, a mão) como bem apontou o Dicionário Bíblico Strong’s, [na 1ª parte] deste artigo.

Outro exemplo:

  • “E, clamando, disse: ‘Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e manda a Lázaro, que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama'” (Lucas 16,24).

Igualmente, a palavra grega aqui é “bapto” e é desnecessário todo o corpo para tornar efetiva a palavra “batismo”, pois a única coisa que se pretendia molhar era a ponta do dedo!

A SEPTUAGINTA COMO EXEMPLO

Todos sabemos que o Antigo Testamento foi escrito em hebraico, porém também sabemos que existe uma versão grega chamada “Septuaginta” [LXX], empregada no tempo dos Apóstolos. Ainda que os textos originais estejam perdidos (do mesmo modo como ocorreu com os escritos do Novo Testamento), há cópias e, atualmente, esta interessante versão pode ser obtida através de algum aplicativo [para celular ou computador].

Vejamos então, através desta versão grega do Antigo Testamento, como a palavra “batismo” também era empregada para “molhar” por simples toque.

Em português:

  • “Um homem puro tomará o hissopo, o molhará na água e aspergirá sobre a tenda e sobre todos os objetos e pessoas que estiverem nela e, igualmente, sobre aqueles que tocaram os ossos do assassinado, ou o falecido, ou a sepultura” (Números 19,18, cf. LXX).

Em português:

  • “Tomará depois o pássaro vivo, a madeira de cedro, a púrpura escarlate e o hissopo, e os molhará juntamente com o pássaro vivo no sangue do pássaro imolado sobre a água viva (…) E tomando a madeira de cedro, o hissopo e a púrpura escarlate, com o pássaro vivo, os molhará no sangue do pássaro degolado e na água viva; e aspergirá na casa sete vezes” (Levítico 14,6.51, cf. LXX).

Nestes dois textos a versão da Septuaginta emprega a palavra grega “bapto” utilizada para molhar em sangue ou água através da aspersão.

Vejamos mais um texto da Septuaginta:

  • “A ponto que se cumpriu a palavra em Nabucodonosor: foi afastado de entre os homens, se alimentou de erva como os bois, seu corpo foi banhado do orvalho do céu, até crescer-lhe seus cabelos como penas de água e suas unhas como as das aves” (Daniel 4,30, cf. LXX).

Aqui se descreve o umedecimento do corpo de Nabucodonosor com o orvalho do céu, empregando a Septuaginta a palavra “bapto” para “umedecer”. Tal palavra não traz a ideia de “imersão” ou “mergulho”.

Como vemos então, a palavra “batismo” não significa apenas “submergir”, mas tem também um sentido mais amplo do que este, como bem demonstrou ainda o Dicionário Bíblico Reina-Valera, [na 1ª parte] deste artigo.

TEXTOS DO NOVO TESTAMENTO

Vejamos mais textos, agora do Nuevo Testamento, para continuarmos observando que a palavra “batismo” possui outros significados além de somente “submergir”:

  • “Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, e todos passaram pelo mar. E todos foram batizados em Moisés, na nuvem e no mar” (1Coríntios 10,1-2).

Se a palavra “baptizo” significasse apenas “imersão”, esta passagem não teria sentido. No entanto, esta não se refere de modo nenhum ao batismo pela água. Aqui, o sentido é figurado, apresentando a ideia de que eles estavam relacionados com Moisés, como que para se identificarem com ele.

O povo de Israel tinha sido separado para seguir Moisés, seu condutor divinamente escolhido. A nuvem e o mar proporcionavam proteção, direção e salvação para todos os que, assim, estavam unidos a ele. O povo passou do estado de escravidão no Egito para o estado de liberdade sob as ordens de Moisés. Eram guardados por Moisés, identificados com ele e unificados sob as suas ordens. Esta é uma ilustração perfeita do uso figurado de “baptizo”, significando a transformação de um estado para outro. Eles foram transformados mediante sua identificação com Moisés.

Deste modo, São Paulo emprega a palavra “batismo” se referindo ao sentido de transformação. Sabemos que os hebreus não mergulharam na água, mas passaram pelo solo seca, de modo que a palavra “batismo” aqui não se aplica para “submergir” (quem certamente “submergiram” foram os soldados egípcios e morreram; mas, claro, o texto não se refere a eles).

Vejamos outro texto:

  • “Porque os fariseus, e todos os judeus, conservando a tradição dos antigos, não comem sem lavar as mãos muitas vezes; e, quando voltam do mercado, se não se lavarem, não comem. E muitas outras coisas há que receberam para observar, como lavar os copos, e os jarros, e os vasos de metal e as camas” (Marcos 7,3-4).

Aqui as palavras “bapto” e “baptizo” são usadas para “lavar” e “lavarem”. Os judeus tinham o costume de lavar as mãos até a altura dos cotovelos e, portanto, a palavra batismo não se aplica como “mergulhar”, como equivocadamente pregam nossos amigos imersionistas. Os rabinos exigiam que se derramasse água sobre as mãos antes de comer, como parte do rito. As mãos eram colocadas na água ou a água era vertida sobre elas. O Talmud dispõe que a água deveria ser vertida sobre as mãos até a altura dos punhos (Yadaym, cap. 2; Mishnah 3). O uso de “baptizo” em referência a este costume, em Lucas 11,38, é mais uma evidência de que a palavra era empregada para indicar ações que não implicavam a ideia de imersão.

Igualmente, o versículo 4, onde a palavra “batismo” é empregada para a lavagem dos cálices, jarros e bandejas.

Jesus os criticou ou questionou por fazerem essas lavagens através da infusão ou aspersão? Não! O que Jesus questionou foi a sua hipocrisia, fazendo-os saber que o importante é estarem puros interiormente:

  • “Fariseu cego! limpa primeiro o interior do copo e do prato, para que também o exterior fique limpo” (Mateus 23,26).
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