“Segue anexo carta. Queria que os senhores lessem “toda” esta carta com muita atenção. Obrigado.” (Luiz Cláudio)

[Anexo: carta ilustrada, com o pretenso e orgulhoso título “Esclarecimento”, atacando – com as já clássicas (e refutáveis!) acusações protestantes – diversas doutrinas da Igreja Católica, principalmente: infalibilidade e primazia do Papa, o culto a Maria, o purgatório e as indulgências.]

Agradeço pelo encaminhamento dessa “nova obra” contra o Catolicismo… Volta e meia recebo “obras” semelhantes… Pena que você não informou quem é o autor desta “nova obra” porque ela – à imagem e semelhança de todas as outras “obras” de iniciativa protestante que tenho recebido – está eivada de erros dos mais diversos: bíblicos, históricos, teológicos etc., de forma que seria muito recomendável alertar ao autor para pesquisar mais, muito mais…

Ora, muitas das coisas ali apresentadas você encontra refutadas na página do Agnus Dei (basta usar a ferramenta de busca interna para facilmente localizá-las), fundamentadas sobre a Bíblia, sobre a História, sobre a verdadeira teologia católica (e não sobre os “achismos” protestantes, já que cada um acha uma coisa diferente dos outros e ninguém fala a mesma coisa).

Para falar do Catolicismo é necessário conhecê-lo, sob pena de criticar o incritável e espalhar o erro, pondo em risco a própria alma e a alma dos outros. Já fui protestante (pentecostal)… já critiquei muito a doutrina da Igreja sem conhecê-la, isto é, criticava aquilo que eu achava que era doutrina ensinada pela Igreja … Quando resolvi ir à fonte e conhecer o que realmente era pregado (e, assim, deixar de lado o que me diziam), não tive dúvidas de que a Igreja Católica é a Igreja de Cristo. O problema de todo protestante é inverter a história, transformar a Bíblia na mãe da Igreja, quando, na verdade, é justamente o contrário: a Igreja é a mãe da Bíblia; por isso São Paulo claramente declara: “a Igreja é a coluna e o fundamento da Verdade” (1Tim 3,15); onde se encontra na Bíblia que está é a única fonte de autoridade para o cristão, justificando a sola scriptura?? A autoridade está na Igreja: “Se recusar ouvi-los, dize-o à Igreja; e, se também recusar ouvir a Igreja, considera-o como gentio e publicano” (Mt 18,17) e “Quem vos ouve, a mim me ouve; e quem vos rejeita, a mim me rejeita; e quem a mim me rejeita, rejeita aquele que me enviou” (Lc 10,16).

Então você me perguntaria: mas qual Igreja, já que existem mais de 30 mil denominações cristãs?? Posso responder, sem medo de errar: aquela que existe desde o princípio, conforme narrado no livro do Atos… Certamente não é nenhuma das denominações protestantes, porque apareceram apenas a partir do séc. XVI (por aqui você exclui praticamente todas as denominações hoje existentes em cada esquina…). Quem resta? A Igreja Católica… a sucessão dos bispos de Roma (papas) – fato *histórico* comprovado – liga o papa atual a Pedro. A arqueologia já comprovou também que Pedro morreu em Roma. Por outro lado, Jesus prometeu a assistência infalível na fé à sua Igreja, cf. Jo 16,13 – e não a cada fiel, como prega o protestantismo – de forma que Ele mesmo estará com sua Igreja até a consumação dos tempos, cf. Mt 28,20; se alguma vez a Igreja Católica – a única que historicamente pode ser ligada à Igreja Primitiva – apostatou de seu Senhor, então Jesus não cumpriu suas promessas: não enviou o Espírito Santo (cf. At 2) e não permaneceu com sua Igreja. Dizer que Cristo permaneceu com um pequeno grupo, seleto e fiel, até chegar a época da Reforma Protestante é absurdo por inúmeros motivos:

Não há nenhum registro histórico comprovando a existência de idéias semelhantes aos dos protestantes (principalmente quanto à sola scriptura), embora não faltem informações sobre centenas e centenas de heresias (muitas ainda pregadas entre os protestantes, como a negação do título de Theotókos para Maria);

Se Cristo permaneceu exclusivamente com algum grupo cismático, como os ortodoxos e nestorianos, é muitíssimo estranho estes grupos manterem muito mais semelhança com os católicos do que com os protestantes (ex: todos eles guardam os 7 sacramentos);

Se, porém, Cristo aguardou até a Reforma para trazer sua Igreja de volta aos eixos, então negligenciou a salvação de pelo menos 30 gerações de cristãos, de modo a por em dúvida a inspiração das palavras: “O qual (=Deus) deseja que *todos os homens* sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (1Tim. 2,4), o que seria absurdo…

Tudo isso, percebe-se, é pura especulação protestante, baseada na livre interpretação da Bíblia (condenada em 2Ped. 1,20), verdadeiro pecado contra o Espírito Santo (cf. Mt 12,32), pois pressupõe que o mesmo e real Espírito Santo possa inspirar duas doutrinas excludentes entre si para cada cristão, depondo contra a unidade cristã pretendida e apontada por Cristo Senhor nosso (cf. Jo 17,22); portanto, todo aquele que pregar contra a unidade da Igreja (e só pode haver uma única Igreja visível, cf. Jo 17,20-21) certamente não obterá a salvação, por ser esta uma obra da carne e não do espírito (cf. Gl 5,6).

Despeço-me, agradecendo mais uma vez o encaminhamento da “obra” anti-católica – apesar de seus inúmeros erros históricos e doutrinários, que depõem contra o real conhecimento do autor quanto ao assunto tratado – e peço a Deus, todo-poderoso, que o abençoe e ilumine o seu caminho.

PS – Quanto ao assunto Pedro/pedra, é necessário lembrar que a língua que Jesus falava era o aramaico e não o grego (língua usada por Mateus em seu evangelho); logo, deve-se analisar a expressão de Jesus conforme a língua original: não há diferença entre o vocábulo Pedro e o termo pedra em aramaico; ambos são escritos da mesma forma, sem qualquer variação: kepha. Por isso, não é necessário fazer malabarismos, distorcendo até mesmo a sintaxe grega da expressão, para afirmar que “esta pedra” é o próprio Jesus… o aramaico confirma o que a Igreja Católica prega há 21 séculos, quanto à interpretação da passagem grega de Mt 16,18

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