As Testemunhas de Jeová não creem na alma espiritual, nem muito menos que seja imortal, pois afirmam que a alma é o nosso próprio corpo e, quando o corpo morre, a alma praticamente morre, porque corpo e alma são o mesmo.

Para tanto, utilizam textos bíblicos mal interpretados, extraídos do seu contexto, nos quais iremos aprofundar a seguir, para ensergar o verdadeiro significado dessas citações.

Vejamos três textos básicos que eles usam:

1º TEXTO: O SALMO 146,4 E AS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ

  • “Exalam o espírito e voltam à terra. e no mesmo dia perecem seus planos!” (Salmo 146,4 cf. Bíblia de Jerusalém).
  • “Seu espírito sai, e eles voltam ao solo; Nesse mesmo dia os seus pensamentos se acabam” (Salmo 146,4 cf. Tradução do Novo Mundo).

A exegese das Testemunhas de Jeová interpreta a passagem como uma clara referência de que após a morte o ser humano deixa de pensar e, portanto, permanece inconsciente, aniquilado.

Porém, o texto não está falando nada sobre atividade mental ou psicológica.

A palavra hebraica traduzida aqui por “pensamentos” é “stnio”, ou seja, “seus planos”.

Analisando os contextos:

O que o Salmista está dizendo não é que o homem é destruído pela morte, como as Testemunhas de Jeová ensinam, mas que não confiemos em homens poderosos (versículo 3); e isso por uma razão muito simples: eles morrem e todos os planos que eles tinham desaparecem com eles (versículo 4). Nossa esperança, ao contrário, deve repousar em Deus (versículo 5).

Temos assim que as Testemunhas de Jeová – que confiaram em homens poderosos que lhes ensinaram que não há nada após a morte – podem se surpreender, e não é para menos, se considerarmos que o seu ponto de vista baseia-se na falta de conhecimento do que significa alma na Bíblia e em certas passagens descontextualizadas.

2º TEXTO: EZEQUIEL 18,4 E AS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ

  • “Pois todas as almas pertencem a mim. Tanto a alma do pai como a alma do filho pertencem a mim. A alma que pecar é a que morrerá” (Ezequiel 18,4 cf. Tradução do Novo Mundo).

Deste texto (dotado, aliás, de uma sintaxe horripilante na versão TJ), deduzem que a alma é mortal e, portanto, que tudo acaba com a morte física. Essa tese é baseada em uma ignorância bíblica de considerável calibre.

As Testemunhas de Jeová não conseguiram distinguir (como o fazem os escritores bíblicos) entre a morte espiritual e a morte corporal.

Na Bíblia, a morte implica fundamentalmente a ideia de separação. A morte corporal nada mais é do que a separação entre o corpo e a alma. Repetidas passagens da Bíblia referem-se a uma concepção que indica que a morte é marcada pela saída da alma do interior do corpo (cf. Gênesis 35,18).

A ideia de morte espiritual ou morte da alma parte do mesmo conceito de separação. Ao falar de uma alma morta, a Bíblia faz referência à separação que o pecado opera entre ela e Deus, mas não jamais significa que a alma seja mortal ou que no momento da morte o ser humano como tal deixa de existir.

É verdade que o pecado significa a morte da alma, mas isto é em sentido simbólico, que não indica nem inconsciência nem mortalidade real. Um exemplo claro de que isto é assim, encontramos por exemplo na Carta aos Efésios, onde lemos:

  • “Além disso, Deus deu vida a vocês, embora estivessem mortos por causa das suas falhas e pecados” (Efésios 2,1 cf. Tradução do Novo Mundo).

Qualquer Testemunha de Jeová sabe que o Apóstolo São Paulo fala, nesta passagem, da morte em um sentido espiritual e, portanto, simbólico.

Ele não está dizendo que aquelas pessoas pecaminosas estavam literal e fisicamente mortas, sem sentir nem sofrer. Não! O que São Paulo diz é que os seus pecados produziram uma morte espiritual, uma separação de Deus, um afastamento do Criador, embora, sem dúvida alguma, eles continuassem vivos e sentindo no meio dessa morte espiritual, visto que posteriormente ouviram a pregação do Apóstolo e a aceitaram como uma mensagem de salvação.

No mesmo sentido, diz Tiago 5,20 que quem faz um pecador se arrepender, salva a sua alma da morte.

A exegese é simples: quem faz um pecador abandonar o seu estado pecaminoso, está fazendo com que ele se salve de um estado de morte da alma, não porque ele não sinta ou não sofra, mas porque até então havia uma separação absoluta entre ele e Deus.

Eis aqui outros textos que falam sobre a morte espiritual: Colossenses 2,13; Efésios 4,18; 5,8; Romanos 3,23; 5,12-15.

O sentido dos textos que falam em “morte da alma” é tão palpável que temos a certeza de que, se não fosse pelas vendas que a seita coloca nos olhos de seus seguidores, eles os veriam com total clareza. É que a Bíblia ensina isto com uma transparência cristalina!

3º TEXTO: ECLESIASTES 9,5 E AS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ

  • “Pois os vivos sabem que morrerão, mas os mortos não sabem absolutamente nada, nem têm mais recompensa, porque toda lembrança deles caiu no esquecimento” (Eclesiastes 9,5 cf. Tradução do Novo Mundo).

De acordo com a péssima exegese das Testemunhas de Jeová, somos ensinados aqui que os mortos estão inconscientes; daí se segue que não há vida após a morte.

Ao responder a essa objeção, eu gostaria de fazer algumas observações:

Em primeiro lugar, devemos considerar o contexto fornecido pelo livro de Eclesiastes. Neste livro, até chegar ao capítulo 12, o autor reproduz o que o homem carnal enxerga “debaixo do sol”; não pretende senão fazer eco do que alguém então pensaria que haveria “acima do sol”.

Por isso, o versículo 6 diz:

  • “Também seu amor, seu ódio e seu ciúme já não existem, e eles não têm mais parte em nada do que se faz debaixo do sol” (cf. Tradução do Novo Mundo).

Considerando isto, explica-se o tom de um certo epicurismo despreocupado e de uma inegável amargura que transparece em algumas de suas expressões.

Por isso, tentar basear uma doutrina em frases isoladas do Eclesiastes é fazer má teologia e péssima exegese. Não obstante, deve-se notar que a passagem de Eclesiastes 9,5 não ensina que os mortos estão inconscientes, mas que ignoram certas circunstâncias.

A expressão hebraica que a Tradução do Novo Mundo usa para “eles não têm mais parte em nada” é: “ynm yodtsym m ‘umh“, que é traduzida literalmente como “eles não sabem de nada“, como traduzem as versões mais sérias e honestas.

O não saber, o ignorar, não é a mesma coisa que estar inconsciente, sem sentir nem sofrer. Milhões de pessoas neste planeta ignoram ou não sabem o que está acontecendo do outro lado do planeta, porém vivem, sofrem e sentem!

Os mortos geralmente são esquecidos com o passar do tempo e não recebem mais nada dos vivos; além disso, geralmente ignoram o que acontece “debaixo do sol”; mas isso tudo não quer dizer que eles não sintam.

Querer dar esse sentido ao texto implica um preconceito interpretativo injustificável num leitor imparcial e honesto do texto sagrado.

Portanto, o texto ensina que enquanto houver vida, há esperança; mas quando o homem morre, ele não tem mais parte nas coisas que acontecem aqui na Terra “debaixo do” (versículos 3, 6, 11 e 13). A morte fecha a porta e toda atividade terrena termina. A maioria dos homens o esquece (“sua memória é posta em esquecimento”, “sua memória é esquecida”).

Logo, “um cachorro vivo é melhor do que um leão morto” (como diz o versículo 4), ou seja, o homem vivo ainda pode fazer muitas coisas e desfrutar da vida física; por outro lado, o homem, mesmo que seja de grande renome, não pode fazer mais nada aqui na Terra (debaixo do sol) quando ele morrer.

Durante sua vida, o homem contribui para as atividades terrenas motivadas pelo “seu amor, seu ódio e seu ciúme” (versículo 6), mas quando morre, essas coisas “perecem e nunca mais terão parte” em tudo o que é feito “debaixo do sol”.

“Nem têm mais pagamento”: o “pagamento” inclui várias coisas:

  • “O meu coração se alegrou por todo o meu trabalho, e esta foi a minha porção de todo o meu trabalho” (Eclesiastes 2,10).
  • “Não há coisa melhor do que alegrar-se o homem nas suas obras, porque essa é a sua porção” (Eclesiastes 3,22).
  • “Uma boa e bela coisa: comer e beber, e gozar cada um do bem de todo o seu trabalho, em que trabalhou debaixo do sol (…) porque esta é a sua porção. E a todo o homem, a quem Deus deu riquezas e bens, e lhe deu poder para delas comer e tomar a sua porção, e gozar do seu trabalho, isto é dom de Deus” (Eclesiastes 5,18-19).
  • “Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias da tua vida vã (…) esta é a tua porção nesta vida” (Eclesiastes 9,9).

Todas estas coisas pertencem a esta vida; quando o homem morre, ele não participa mais de nenhuma delas:

  • “E nunca mais terão parte alguma em tudo o que se faz debaixo do sol” (versículo 6).
  • “Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque na sepultura, para onde tu vais, não há obra nem projeto, nem conhecimento, nem sabedoria alguma” (versículo 10).

Vemos, portanto, que o ensino materialista das Testemunhas de Jeová não se encontra neste texto, pois o escritor do Eclesiastes limita o que diz nestes versículos ao que acontece “debaixo do sol”, ou seja: os mortos “não sabem” o que está acontecendo aqui na Terra, mas isso não significa que não tenham consciência e não sintam nem sofram.

CONCLUSÃO

As Testemunhas de Jeová limitam a definição de certas palavras bíblicas a uma única definição. ElAs dizem que “alma” significa “pessoa” e que “espírito” significa “energia”, mas muitas palavras têm duas ou mais definições. O verdadeiro significado de uma palavra é apreendido não apenas por sua definição radical (sua etimologia), mas também por seu uso. Portanto, é necessário estudar o contexto para compreender o texto ou a palavra em consideração.

As Testemunhas de Jeová não buscam a salvação que Jesus nos trouxe. Elas ignoram o Plano de Salvação porque não lhes interessa. Elas só querem falar sobre um reino terreno. Para elas, o importante é este mundo, e elas só querem que esta terra seja renovada. Portanto, elas não querem aceitar a verdade bíblica de que o homem é espiritual.

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