Liturgia

Iniciativas litúrgicas arbitrárias

A grande preocupação dos Papas desde Paulo VI tem sido preservar a harmonia própria ao culto católico sobre o plano litúrgico e religioso. Embora as veleidades fantasiosas que pulularam logo após o Vaticano II tenham diminuído prevalece ainda a tendência em dessacralizar a Liturgia. Isto significa, porém, a demolição do culto autêntico, levando consigo de roldão equívocos doutrinais, disciplinares e pastorais.

Trata-se de uma desintegração aberrante de fundas conseqüências. No fundo prevalece um espírito anticanônico e uma aversão às rubricas tais como se acham no Missal Romano. A beleza, a verdade, a espiritualidade que devem fluir das cerimônias, dos cânticos, das atitudes dos participantes ficam gravemente afetadas. Ofusca-se, deste modo, o mistério pascal e a glória de Deus restam comprometida, incrementando-se não a piedade, mas ensejando todo tipo de distrações. Muitas vezes impera um horizontalismo que leva o povo a celebrar a si mesmo no lugar de comemorar os Mistérios de Cristo.

A Liturgia não é nunca propriedade do fiel, nem do celebrante, nem da comunidade. Não se trata de uma peça literária que se inventa. Ela compreende, com efeito, elementos permanentes que emanam do Redentor, como são os componentes essenciais dos Sacramentos, sendo que há, outrossim, elementos variáveis que são cuidadosamente transmitidos e conservados pela Igreja. Cumpre uma educação religiosa profunda para que toda a riqueza da linguagem litúrgica seja vivida em sua plenitude.

É ponto basilar fixar que a assembléia se reúne para um encontro com Cristo ao qual deve responder com a adesão à Palavra, a ação de graças, a recordação da salvação, o louvor, a súplica, tudo isto levando a um sério compromisso existencial. O que obscurece tal finalidade deve ser evitado.

Eis por que toda teatralidade agride a participação plena e ativa do povo, impedindo que se colham frutos espirituais. Donde um preparo esmerado a cada semana é de vital importância. Esta inclui a preparação das leituras, uma vez que erros gramaticais graves são aquilo  que o experts em comunicação chamam de ruído. Por vezes provocam até comentários em plena celebração por parte de participantes que captam a agressão à língua pátria, impedindo a inserção no mistério. Um denodado leigo missionário de notável formação teológica se queixava com este articulista sobre certas Missas em praça pública durante as quais pessoas saem para comprar picolé, pipoca e outras guloseimas (sic) e retornam com as mesmas acintosamente as deglutindo.

Nunca é demais alertar para certos cantos que, sem a aprovação eclesiástica, são introduzidos ou com ritmos carnavalescos ou com letras até heréticas. Certo cântico, que ainda anda sendo entoado, indaga: “Quem está neste pão? Quem está neste vinho?”. Ora, isto é empanação condenada desde o Concílio Trento. O certo é “Quem é este pão?” “Que é este vinho”.

O Glória da Missa dominical tem se prestado a muitas deturpações e houve quem inventasse esta fórmula ridícula: “ Glória a Deus Pai, glória a Deus Filho, glória ao Espírito Santo. Glória a Deus Mãe (sic)” e no meio do texto aparece saudação também à Virgem Maria, ocasionando grande confusão e até parecendo que  se diviniza a figura da Mãe de Jesus. Estes e outros desvios precisam ser sempre combatidos.

Adite-se a queixa de muitos fiéis sobre cerimônias muito longas, Missas que duram cerca de duas horas, por vezes, infladas de apresentações paralitúrgicas.

Os comentários, outrossim, por parte de certos comentaristas mais parece uma homilia no início ou  antes de cada leitura. A invés de ser uma introdução objetiva, clara, que prenda a atenção dos participantes ocorre uma lengalenga vazia.

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