Espaço do Leitor

Leitor pergunta se maria santíssima é “cheia de graça” ou “agraciada”

Recentemente, li um artigo no site Ieab.org.br( igreja anglicana), a posição deles com relação a virgem Maria. Eles concordavam com muitos pontos de nossa teologia , porém discordavam de outros . Algo que me chamou a atenção foi a questão da imaculada conceição, pois para eles maria não é cheia de graça como fazia crer a vulgata , então buscando a questão da etmologia , eles afirmam que o termo grego correto seria agraciada, pois Maria seria o receptaculo da graça que a  atinge imerecidamente , e não alguém que a possui por ausencia de pecado. Afinal existe mesmo essa diferença  entre cheia de graça e agraciada? Indiretamente afirmam que a vulgata possui erros, e então como ficaria o sola scriptura ja que muitas edições protestantes foram traduzidas a partir Dela? 


Prezado E., a Santa Paz!

Esta história de que o texto da Vulgata contém erros é uma tese mentirosa fundamentada em meias-verdades, como é tudo que está no Protestantismo.

Antes de São Jerônimo traduzir os livros bíblicos do grego e hebraico para o latim, existia uma série de manuscritos das Escrituras em Latim, conhecidos hoje como Vetus Latina (1). Estes manuscritos foram desenvolvidos não por peritos, mas por pessoas piedosas que pretendiam oferecer as Escrituras na língua do povo (o latim).

Dá para imaginar quanta imprecisão havia neste tipo de tradução, já que cada um fazia de um jeito. Isso foi tão notório na época, que foi objeto de sérias críticas de Santo Agostinho (A Doutrina Cristã 2,16).

Por essa razão o Papa S. Dâmaso manda fazer uma tradução oficial das Escrituras para o Latim, chamando para este trabalho São Jerônimo.

Quando a Vulgata ficou pronta, é claro que poucos manuscritos dela havia (lembre-se que naquele tempo não havia a Imprensa, tudo era copiado à mão!!!). Por isso, foi principalmente divulgada através de novas cópias. Uns copiam um livro aqui, outros um livro ali, dando origem à uma Vulgata paralela, cujas cópias se interpolavam com os antigos manuscritos da Vetus Latina. Eram essas cópias do “câmbio negro” ou “piratas” que eram cheias de erros, não os manuscritos que tinham a tradução oficial e que estão conservados até hoje pela Igreja Católica.

Agora é claro que há na Vulgata de São Jerônimo imprecisões e não erros, já que toda tradução (infelizmente) nem sempre consegue expressar na língua traduzida o que está no original. Por isso, no início do séc. XX a Igreja mandou revisar a Vulgata (2). Até versões protestantes como a King James Version (KJV) ou a João Ferreira de Almeida, sofreram revisões e adequações.

Quanto à questão de que se Nossa Senhor é “Cheia de Graça” ou “agraciada”, você deve estar se referindo às palavras do Anjo Gabriel conforme relatadas no Evangelho segundo São Lucas: “Entrando, o anjo disse-lhe: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo” (Lc 1,28).

A expressão “Cheia de Graça” consta no original grego como karitou. Esta palavra grega expressa a Graça de Deus em sentido máximo, isto é, em toda sua plenitude. Ela é também utiliza por São Paulo em sua carta aos Efésios: “No seu amor nos predestinou para sermos adotados como filhos seus por Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua livre vontade, para fazer resplandecer a sua maravilhosa graça [charitoo], que nos foi concedida por ele no Bem-amado” (Ef 1,5-6).

Não foi sem razão que São Jerônimo (séc. IV), o MAIOR ESPECIALISTA cristão nas línguas bíblicas, quanto traduziu as Escritura para o Latim (tradução conhecida como Vulgata), traduziu karitou por gratia plena.

É claro que só pode ser cheia de graça quem foi agraciada, assim como só pode estar encharcada quem foi molhada. Entretanto o termo “agraciada” não transmite a plenitude da Graça recebida por Nossa Senhora. Este termo transmite uma imprecisão que não se encontra no original grego, portanto torna-se infiel à Verdade, logo é imoral.

É claro que esta manobra protestante foi aí colocada para negar a bem-aventurança dada por Deus à Virgem Maria. Falsearam a Verdade sob o véu da imprecisão.

Enfim, se fosse para o Protestantismo ensinar a Verdade, não existiria, seria Catolicismo.

Espero tê-lo ajudado.

Notas

(1) Site da Vetus Latina. Disponível em http://www.vetuslatina.org.

(2) DIVINO AFFLANTE SPIRITU. Disponível em http://www.vatican.va/holy_father/pius_xii/encyclicals/documents/hf_p-xii_enc_30091943_divino-afflante-spiritu_po.html.


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