O Sr. Ivan perguntou sobre a licitude dos métodos anticoncepcionais, na resposta do site, e que, obviamente, é o que pensa a Igreja, existe algo ilógico. Tenho certeza que é este contra-senso na abordagem da questão sexual que leva tantos católicos a não seguirem os ditames da Igreja e agirem a partir da lógica individual. Vejamos: Se Deus criou o homem com inteligência e capacidade de conhecimento, não precisaria ter criado uma libido, tão forte e intensa, pois o homem saberia que para ter filhos deveria ter relações sexuais e não precisaria do instinto, como precisam os animais que não sabem para que serve a sexualidade.

Se o homem tem libido tão marcante, então é porque Deus permite o prazer sexual, ou Deus não teria criado o homem (seria fruto da evolução), ou o teria criado, mas ignorante, como os animais.

Considerando que existe a libido, por que a Igreja proíbe o sexo apenas pelo prazer. O prazer é pecado?  A prostituição, as orgias e o adultério são pecados, mas o sexo entre um casal pode ser pecado? A Igrela diz que o sexo matrimonial pelo prazer é pecado porque foge da função primária do sexo que é a procriação, mas então comer num restaurante é pecado, porque estamos ali comendo pelo prazer e, muitas vezes, pagando muito caro. Comer camarão é pecado, porque é muito caro. Se é para obedecer a função primária do comer, então bastariam frutas, talvez arroz e feijão. E vinho? Para quê? Vinho não mata a sede, é só o prazer de beber. Beber com outra finalidade do que o matar a sede também deveria ser pecado. Pessoas obesas estariam em pecado mortal.

Alguém poderia argumentar que o sexo envolve duas pessoas. É óbvio, mas não se trata de estupro, e sim de um prazer compartilhado, como jantarmos  num restaurante, tomando um bom vinho.

Mais paradoxal ainda é o fato de se permitir a anticoncepção natural (aí vale o sexo pelo prazer), mas não a artificial. Claro que vi a “dança” do site para tentar explicar este contra-senso. Um controla o outro regula a natalidade, num o casal se aceita toatalmente na sua totalidade, no outro há um ataque direto a dignidade do casal (?). Dá pra aceitar esta retórica? Até dá, mas que carece de base, de fundamento e de lógica, não há dúvida.

A Igreja se perde nisto. Recentemente Deus, pela intercessão de Frei Galvão, realizou um milagre no menino Enzo, que era filho de casal amasiado. É através dos milagres que vemos a vontade de Deus. Ou não houve milagre, e a canonização foi um erro, ou Deus não está tão preocupado se um casal faz sexo por prazer, usa preservativo ou não casou oficialmente. Deus, com este milagre, deu sinal que outros valores são mais importantes?

Gostaria de ler um comentário do site sobre o que expus.

Atenciosamente, Jordano

Olá caríssimo sr. Jordano. Desejamos a paz e a graça do Senhor Jesus Cristo ao senhor e a toda a vossa família. Pedimos especialmente hoje, dia em que a Igreja celebra a coroação de Nossa Senhora, que esta mesma santa mãe de Deus estenda sobre nós o seu manto protetor e interceda sempre por nós, pobres pecadores.

Como o senhor fez muitas colocações e pede ao final um comentário sobre vossa exposição, o faremos dividindo-o por tópicos para não confundir e para efeito de melhor eficácia na comunicação.

1) O que pensa a Igreja sobre a moral sexual é algo ilógico, um contra-senso, o que leva a desobediência coletiva dos fiéis;
A moral sexual cristã é um grande dom e um legado da tradição bi-milenar da Igreja Católica, adquirida mediante os séculos com a sabedoria dos santos, dos papas e a partir de uma fundamentação evangélica extensa. Nada do que a Igreja Católica afirma sobre moral sexual (e sobre qualquer moral) é baseada num pensamento, numa idéia, numa opinião, mas no conjunto de toda a sua doutrina, que é a soma da Sagrada Escritura, da Tradição e do Magistério. Dizer que uma posição da Igreja sobre algum assunto de ordem moral é ilógica e um contra-senso é uma grave acusão pois coloca em xeque essas três sagradas esferas. Tal atitude é no mínimo desrespeitosa e arrogante para com uma instituição de direito divino, fundado por Jesus Cristo e com uma clara missão de ensinar e exortar o povo, independente dos gostos ou comodidades alheios, que não faz mais do que cumprir a vontade do Senhor: “ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi” (Mt 28,20).

A desobediência coletiva dos fiéis é sempre visto com preocupação porque importa para a Igreja a salvação das almas e o respeito devido a Deus. Mas a desobediência dos fiéis não configura preocupação para Igreja enquanto satisfação dos mesmos, porque desde o início, cristianismo nunca combinou com facilidade, comodidade e relaxamento; neste sentido Cristo foi sempre enfático, “se alguém me quer seguir, renuncie-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mc 8,34); “Sereis odiados por todos por causa do meu nome” (Lc 21,17); “Eu vim trazer a divisão entre o filho e o pai, entre a filha e a mãe, entre a nora e a sogra” (Mt 10,35). A Igreja não teme ficar só pois só ficou o Senhor em diversos momentos de sua vida pública, desde quanto afirmou a doutrina eucarística, “desde então, muitos dos seus discípulos se retiraram e já não andavam com ele” (Jo 6, 66), como no momento de sua cruz, abandonado por quase todos. Com efeito, caro sr. Jordano, “importa obedecer antes a Deus do que aos homens” (Atos 5, 29).
2) Se basta a inteligência e o conhecimento para se ter filhos não precisaríamos do prazer no ato sexual; o prazer existe para ser gozado portanto;
A Igreja sempre reconheceu no prazer um dom divino dado gratuitamente ao homem. Santo Tomás de Aquino afirmava que para cada necessidade humana satisfeita, foi dada ao homem a faculdade de gozar um prazer específico anexo. Assim pois seguem muito prazerosas eventos necessários a sobrevivência e a procriação humana, como por exemplo, o descanso mediante o sono, a comida e a bebida, e o sexo. Tais prazeres são um bem e existem como um estímulo para que o homem sobreviva e procrie, para que exercite sua genitalidade. Seria um grande perigo para a existência da humanidade se fossem retiradas o prazer das funções vitais; correriámos sério risco de extinção por falta de estímulo. Veja que mesmo com o estímulo do prazer unido a função sexual, e com toda a inteligência do povo europeu, estamos vendo uma regressão demográfica alarmante em diversos países deste continente; Alemanha e Itália são países, por exemplo, onde mais pessoas morrem do que nascem. Vossa tese não se sustenta à análise da realidade.

Vejamos o que diz a Summa Teológica: “É vicioso tudo aquilo que se opõe à ordem natural. Mas foi a própria natureza que colocou o prazer nas operações necessárias a vida humana. Por isso, a ordem natural exige que o homem desfrute desses prazeres, na medida em que são necessárias para a saúde humana, quer seja em ordem a conservação do indíviduo, quer da espécie“.

Quer dizer, Deus não fez uma brincadeira com o ser humano colocando prazer nas funções vitais e então proibindo-o de gozá-lo. Mas colocou um lugar e um tempo para que tais prazeres sejam gozados com racionalidade. Como disse Santo Tomás de Aquino, existe uma “medida” para o prazer, um limite sóbrio que torne o prazer a serviço do homem. Se retirarmos as funções vitais do prazer isolando-o de sua razão de existir, nos assemelhamos a irracionais e nos enveredamos pelos caminhos da glutoneria e da luxúria.
3) Considerando que existe a libido, por que a Igreja proíbe o sexo apenas pelo prazer? O prazer é pecado?
A Igreja não proibe o ato sexual onde se busque o prazer dentro do matrimônio, porque como já visto acima, o prazer é um bem. Neste sentido afirma o Papa Pio XII: “O próprio Criador… estabeleceu que nesta função (i.é, de geração) os esposos sentissem prazer e satisfação do corpo e do espírito. Portanto, os esposos não fazem nada de mal em procurar este prazer e em gozá-lo. Eles aceitam o que o Criador lhes destinou. Contudo, os esposos devem saber manter-se nos limites de uma moderação justa” (CIC, 2362). E ainda o Catecismo: “Os atos com os quais os cônjuges se unem íntima e castamente são honestos e dignos. Quando realizados de maneira verdadeiramente humana, testemunham e desenvolvem a mútua doação pela qual os esposos se enriquecem com o coração alegre e agradecido” (CIC, 2362; GS, 49).

O problema é a vossa medida do “apenas”. Se for “apenas” pelo prazer, sim, será uma ofensa a dignidade humana, porque se irá reduzir o complexo e profundo dom da sexualidade a uma troca única de favores e satisfação egoísta; é o genitalismo. O ato conjugal não pode ser significado “apenas” pelo prazer. Se o ato sexual pode ser buscado “apenas” pelo prazer, o orgasmo não atingido por um dos cônjuges, ou por ambos, torna esta relação conjugal em vão e no vazio, o que é um absurdo. Se o ato sexual pode ser buscado “apenas” pelo prazer, justifica-se o divórcio, o adultério, a prostituição, a masturbação etc, toda vez que não se atinge o orgasmo com um dos cônjuges. Isto não é humano e está longe de ser uma expressão de amor.
4) A prostituição, as orgias e o adultério são pecados, mas o sexo entre um casal pode ser pecado?
Sim, como todo comportamento humano, o ato sexual mesmo no casamento está sujeito a todo tipo de falta humana. Cabe ao ser humano cuidar para que o ato sexual seja sempre elevado a dignidade que o amor pede, já que pode fácilmente ser rebaixo, especialmente se se tornar um instrumento de repressão a mulher, um mecanismo de busca de sí mesmo pelo prazer egoísta e numa coisificação do cônjuge.
5) A Igrela diz que o sexo matrimonial pelo prazer é pecado porque foge da função primária do sexo que é a procriação;
Esta afirmação não está correta. Como dizia o Cardeal Newmann, as pessoas são inimigas da Igreja não pelo que é a Igreja, mas por causa do que pensam que é a Igreja. Primeiro, a Igreja não diz que o ato conjugal que busca o prazer é pecado, como já visto acima nas palavras do Catecismo e do Papa Pio XII, mas que o ato conjugal buscado “apenas” pelo prazer, ou com uma busca do prazer sem limites e sem moderação é ofensa a dignidade do matrimônio. “O ato conjugal tem um duplo significado: unitivo (a mútua doação dos esposos) e procriador (a abertura à transmissão da vida)” (Compêndio do CIC, 496). Mas o prazer no ato sexual é sempre anexo a sua função de existir, que é naturalmente a procriação.
6) Mas então comer num restaurante é pecado, porque estamos ali comendo pelo prazer e, muitas vezes, pagando muito caro. Comer camarão é pecado, porque é muito caro… beber com outra finalidade do que o matar a sede também deveria ser pecado. Pessoas obesas estariam em pecado mortal;

Esse pensamento é simplista demais. O alimento é um meio de manutenção da vida. Teremos uma desvio da ordem natural se este meio se torna um fim, invertendo seus valores. Se apenas se busca o prazer dispensando o sentido de existir da função vitual (no caso sexual unir e procriar e no caso alimentar conservar e manter a saúde), acabamos por corromper estes bens. Podemos fácilmente pecar pela gula, que é justamente a paixão desordenada pelo prazer que o alimento traz levando ao exagero, colocando o prazer de comer acima do dever de comer para a manutenção da saúde.

Pessoas obesas podem (depende de outros inúmeros fatores) estar em pecado grave se colocarem o valor do prazer acima do valor da preservação da vida e da saúde, valor infinitamente superior que o prazer, que pode no entanto ser ameaçada pelo excesso de alimento como bem nos lembram os médicos. É claro que comer num restaurante não é pecado porque restaurantes são locais que nos servem um bem, o que precisamos é não perverter este bem. Para isto basta usarmos os alimentos alí servidos com prazer saciando a fome e conservando a saúde, e não fazermos do prazer a única finalidade desta alimentação. Comer e/ou beber além do necessário pode ser um indicativo dessa desordem. Vale mais uma vez o que diz Santo Tomás de Aquino no trecho citado no início desta relfexão: “Mas foi a própria natureza que colocou o prazer nas operações necessárias a vida humana. Por isso, a ordem natural exige que o homem desfrute desses prazeres, na medida em que são necessárias para a saúde humana, quer seja em ordem a conservação do indíviduo, quer da espécie“.

Tocastes ainda num ponto importante, a questão dos gastos com a alimentação; esta também deve ser orientada pela reta razão. Por trás de muitos que gostam de investir valores altos em comidas extravagentes pode-se esconder uma atitude hedonista para com as coisas, de quem coloca o prazer no lugar máximo a ser cultuado, como os antigos romanos que usavam os vomitórios, locais usados para indução de vômito com a finalidade de comer sem parar. Para essas pessoas, e outras dos nossos tempos, vale o que dizia São Paulo: “seu deus é o ventre“. A moderação com os gastos com alimentação é também uma forma de consideração para com os pobres e famintos que não possuem o que comer, como dizia São Gregório: “queremos a nossa mesa opulenta de iguarias, provenientes em abundância de todos os elementos: do ar, da terra e da água. E queremos apurar as artes dos cozinheiros para afagar sempre mais este ventre globoso e ingrato, esta carga pesada e fonte de males, fera insaciável e infidelíssima, destinada a ser destruída junto com os alimentos destruídos…E os pobres, que se fartem de água!” (cit. por Francisco Faus, Autodomínio. Quadrante; São Paulo, 2004. pág.20).

Vale lembrar que apesar de toda a problemática moral que possamos analisar na busca do prazer pela alimentação, é sem dúvida ainda muito mais grave moralmente a matéria sexual, pois se na alimentação tratamos da manutenção da vida através da ingestão de coisas, na matéria conjugal tratamos da origem de toda a vida humana através da comunhão de pessoas, e que não existem para serem usadas.

 

Não é errado ter prazer no ato de comer; errado é comer só pelo prazer, fechando-se à função nutritiva da alimentação, que é a primária. Do mesmo modo, não é errado ter prazer na relação sexual nem buscá-la; o erro está no fechamento à procriação, pois é o fim primário.
7) Mas não se trata de estupro, e sim de um prazer compartilhado, como jantarmos  num restaurante, tomando um bom vinho;
Prazer compartilhado não é um valor absoluto para garantir a licititude de um ato. Assim como o prazer pode ser compartilhado convidando pessoas famintas para jantar, pode-se compartilhar o prazer numa orgia ou num assalto a banco. O critério para se avaliar a licititude de um ato será a partir da moral, da razão, que sempre nos exige a fazer o bem e evitar o mal objetivos.
8) Mais paradoxal ainda é o fato de se permitir a anticoncepção natural (aí vale o sexo pelo prazer), mas não a artificial. Claro que vi a “dança” do site para tentar explicar este contra-senso. Um controla o outro regula a natalidade, num o casal se aceita toatalmente na sua totalidade, no outro há um ataque direto a dignidade do casal (?). Dá pra aceitar esta retórica? Até dá, mas que carece de base, de fundamento e de lógica, não há dúvida;
Paradoxo é uma palavra que significa um conceito que é ou parece contra o senso comum. De fato, na sociedade hedonista em que vivemos, afirmar a moderação dos apetites, a responsabilidade dos atos e o compromisso com a moral é sim paradoxal, porque são valores totalmente contrários aos que estamos acostumados a ver por aí. Nos tempos em que vivemos, o jejum de quarenta dias de Jesus Cristo é um belo paradoxo. Aliás, continência, castidade, jejum, abstinência, nada soa mais estranho para a sociedade pós-moderna. Mas a julgar pelo conjunto da opinião do leitor, ao dizer paradoxal, o que parece que se tenta na realidade exprimir é uma suposta incoerência na doutrina da Igreja; uma contradição.

Dizer que a moral sexual cristã é mera retórica é o mesmo que chamar a teoria da relatividade de Einstein de superficial, apenas porque não se compreende ela. Retórica é falta de conteúdo, e felizmente na Igreja Católica conteúdo não é problema. Nem em nosso apostolado, vide nosso campo de busca sobre o assunto se desejar. Ademais, para um assunto como este bastaria a mera análise da realidade dos fatos.

Como já citado, a Igreja declara lícito a busca do prazer no ato sexual, mas desde que esta busca não esteja orientada egoísticamente, de forma a modificar a ordem natural humana. Não se trata de contradição, mas de plena constatação. Reflita um instante conosco.

A natureza humana orienta o homem e a mulher para uma complementar entrega dentro da sexualidade. O homem carrega em sí uma capacidade natural para entregar-se a mulher, no corpo e na alma. Ele gosta de olhar, a mulher de se arrumar; ele gosta de tocar, a mulher de ser acariciada; tem boa capacidade para ouvir, a mulher para falar. No campo corporal, físico, a natureza do homem também existe para dar-se totalmente e perfeitamente a mulher, a ponto de doar a sua própria semente e o que tem de mais íntimo. A anatomia genital do homem e da mulher foram feitos para coroar essa união. E nessa união o prazer e a alegria da entrega plenifica um ao outro. Eis a primeira finalidade do ato sexual, a união.

Mas não pára aí. Quando olhamos para o corpo de uma mulher, o que mais ressalta no olhar do homem é justamente suas mamas e seu quadril. Ora, o seio é a característica mais materna que uma mulher pode ter, pois é dalí que sairá a primeira alimentação de seus filhos, e o tamanho do quadril será justamente mais atraente quanto mais puder acomodar os filhos que alí serão gestados. Quanto melhor for a aparência dentro da perspectiva materna, mais o homem se sente atraído pela mulher. E dentro de suas característica psicológicas, quanto mais materna for a mulher, mais o homem se atrairá; não é a toa que a mulher tem uma capacidade de delicadeza, de paciência, de afeto e de carinho que é imprópria do homem. No fim a própria imagem de homem que a mulher mais busca é daquele que tem força física, que tem estrutura psicológica, que tem segurança e estabilidade mental para poder ser um bom pai. Tudo isso é a segunda função do ato sexual, a reprodutiva. Quer dizer, a união caminha e se orienta para a procriação, e são juntas o significado do amor conjugal.

É por isso que para se respeitar a ordem natural do ser humano em matéria sexual não se pode disassociar a “união” da “procriação” por uma busca exclusiva do prazer, pois não é essa a natureza normal da faculdade sexual.

Mas sigamos adiante. Talvez por perceber que as finalidades dos contraceptivos e dos métodos naturais são similares, não compreendestes como um pode ser ilícito e outro lícito. O problema moral maior são os meios. As diferenças reais e objetivas entre o método natural e os contraceptivos são:
“1º. Nos métodos naturais:
– os cônjuges seguem uma lei fisiológica natural, criada por Deus, que marca os ritmos da fecundidade periódica da mulher;
– o ato conjugal se realiza de forma normal;
– os esposos renunciam, responsavelmente e de comum acordo, ao uso do ato matrimonial nos períodos fecundos, respeitando as leis de Deus.

2º. Nos métodos antinaturais:
– bloqueia-se o processo generativo natural, utilizando fármacos ou dispositivos mecânicos que tornam anti-natural a união conjugal;
– por essa mesma razão, o ato sexual é em sí mesmo anormal, pois não se respeita a sua natureza, tornando-o artificialmente infencundo;
– os cônjuges desvirtuam assim a lei de Deus, atribuindo a sí próprios o direito de serem árbitros do nascimento ou da suspensão da vida humana“ (Sexo e Amor, Rafael Llano Cifuentes – Ed. Quadrante, São Paulo, 1995; pág. 136, 137).
Veja, quando um homem provoca a esterilidade num ato sexual em sua mulher, reduzindo a sexualidade de sua esposa, e vice-versa, seu corpo diz ““prefiro você estéril”, “não quero tudo o que você pode me oferecer. Calculei a medida do meu amor e ele não é suficientemente grande para isso. É um amor incapaz de aceitar você inteiramente. Quero um você encolhido, reduzido a medida do meu amor”” (Cormac Burke, Amor e casamento. Quadrante, 1991. pág. 42). Com efeito, “a contracepção separa-os, e a separação estende-se a todas as dimensões do casamento. Não separa apenas o sexo da procriação, mas também o sexo do amor. Separa o prazer do seu significado, e o corpo do espírito” (Burke, pág. 42).

Com isso a moral sexual não pede que se tenha um filho a cada ato conjugal, até porque a possibilidade de gravidez para uma mulher é de apenas 16% no período fértil (engravidar não é tão fácil assim), mas que se assumam as responsabilidades inerentes ao prazer no exercício desta função vital. Que o ato sexual busque o prazer mas mantenha-se humanamente aberto a vida. Que não se queira reduzir forçosamente e artificialmente a fertilidade da mulher, baixando para quase 0% a sua chance de engravidar apenas para gozar obsessivamente e frenéticamente do prazer sexual. Que se respeite os tempos e os ritmos naturais de fertilidade da mulher (pois não são uma doença), cujas datas acontecem apenas 12 vezes por ano, 5 a 7 dias por ciclo, e que se não se possa ter filhos por motivos sérios, que então se abstenham de relação sexual nesses períodos. Querer ter uma mulher ou um homem artificialmente estéril, 365 dias por ano, apenas para poder gozar de prazer ininterruptamente não será um sintôma de profundo egoísmo e hedonismo beirando até ao ódio pelo outro? Neste sentido ensina magistralmente o Papa Bento XVI em sua primeira encíclica:

“O eros degradado a puro « sexo » torna-se mercadoria, torna-se simplesmente uma « coisa » que se pode comprar e vender; antes, o próprio homem torna-se mercadoria. Na realidade, para o homem, isto não constitui propriamente uma grande afirmação do seu corpo. Pelo contrário, agora considera o corpo e a sexualidade como a parte meramente material de si mesmo a usar e explorar com proveito. Uma parte, aliás, que ele não vê como um âmbito da sua liberdade, mas antes como algo que, a seu modo, procura tornar simultaneamente agradável e inócuo. Na verdade, encontramo-nos diante duma degradação do corpo humano, que deixa de estar integrado no conjunto da liberdade da nossa existência, deixa de ser expressão viva da totalidade do nosso ser, acabando como que relegado para o campo puramente biológico. A aparente exaltação do corpo pode bem depressa converter-se em ódio à corporeidade. Ao contrário, a fé cristã sempre considerou o homem como um ser uni-dual, em que espírito e matéria se compenetram mutuamente, experimentando ambos precisamente desta forma uma nova nobreza. Sim, o eros quer-nos elevar « em êxtase » para o Divino, conduzir-nos para além de nós próprios, mas por isso mesmo requer um caminho de ascese, renúncias, purificações e saneamentos” (Deus Caritas Est).

Por fim, no texto publicado o qual o leitor aqui questiona, são 14 parágrafos destinados a esclarecer a moral sexual de maneira clara (e resumida) bem como 3 fontes de citação a partir do magistério da Igreja. Dizer que o referido texto carece de base, fundamento e lógica em apenas duas linhas, sem demonstrar em quê e sem contra-argumentos contundentes, é desqualificar o próprio comentário. Fica ainda mais pretensioso se aplicarmos tal comentário a lógica da moral sexual, que vem produzindo abundante material sobre este assunto específico nos últimos vinte anos, pelo menos.

9) Recentemente Deus, pela intercessão de Frei Galvão, realizou um milagre no menino Enzo, que era filho de casal amasiado. É através dos milagres que vemos a vontade de Deus. Ou não houve milagre, e a canonização foi um erro, ou Deus não está tão preocupado se um casal faz sexo por prazer, usa preservativo ou não casou oficialmente. Deus, com este milagre, deu sinal que outros valores são mais importantes?

Eis um genuíno pensamento farisaíco. Deus não castiga e nem deixa de abençoar descendentes pelos pecados dos seus antepassados, e isto está expresso claramente na Sagrada Escritura em diversas passagens: “Então, não se dirá mais: Os pais comeram uvas verdes, e prejudicados ficaram os dentes dos filhos, mas cada qual morrerá em razão do próprio pecado e, se alguém comer uvas verdes, serão atingidos os próprios dentes” (Jr. 31, 28-29); “É a mim que pertencem as vidas, a vida do pai e a vida do filho. Ora, é o culpado que morrerá” (Ez. 18, 4); “Caminhando, viu Jesus um cego de nascença. Os seus discípulos indagaram dele: Mestre, quem pecou, este homem ou seus pais, para que nascesse cego? Jesus respondeu: Nem este pecou nem seus pais, mas é necessário que nele se manifestem as obras de Deus” (Jo. 9, 1-3).

Vossa concepção de Deus é incompatível com tudo o que se conhece dentro do cristianismo. Seria justo que o Senhor não se resignasse a atender a súplica de quem quer que fosse por uma vida inocente, e atendendo tal desejo, não fizesse senão derramar a sua graça gratuitamente por puro amor e misericórdia? Vossa tese rasga a Sagrada Escritura do início ao fim, e por ela podemos afirmar, por exemplo, que ao abençoar a descendência do rei Davi o Senhor Deus deu carta branca para o assassinato, a exemplo do que este cometeu. Também neste raciocínio podemos afirmar que ao defender Maria Madalena, Jesus Cristo declarou legítimo a prostituição.

A graça recebida de Deus nunca é merecida caro leitor, é sempre um dom gratuito. Com efeito, Cristo veio para os fracos, para os doentes, para os pecadores e não para os fortes, sadios e justos, para que neles se manifestem as obras de Deus e para que creiam que o Reino de Deus está entre nós. Como diz a Igreja:
“O motivo de crer não é o fato de as verdades reveladas aparecerem como verdadeiras e inteligíveis à luz de nossa razão natural. Cremos “por causa da autoridade de Deus que revela e que não pode nem enganar-se nem enganar-nos”. “Todavia, para que o obséquio de nossa fé fosse conforme à razão, Deus quis que os auxílios interiores do Espírito Santo fossem acompanhados das provas exteriores de sua Revelação. Por isso, os milagres de Cristo e dos santos, as profecias, a propagação e a santidade da Igreja, sua fecundidade e estabilidade “constituem sinais certíssimos da Revelação, adaptados à inteligência de todos”, “motivos de credibilidade” que mostram que o assentimento da fé não é “de modo algum um movimento cego do espírito” (CIC, 156).
Quer dizer, sinais visíveis como milagres extraordinários, existem para certificar a Revelação, para ser motivo de credibilidade a fé e a doutrina, e no caso de Frei Galvão, para confirmar que este servo de Deus foi um homem santo, com virtudes heróicas e que definitivamente goza de glória na eternidade. Frei Galvão não pregou durante sua vida as uniões livres, o preservativo, o sexo do prazer pelo prazer, o hedonismo, a irresponsabilidade e a imoderação dos apetites, pelo contrário, passou a sua vida na terra proclamando e defendendo a genuína fé católica, a virtude, a doutrina e a caridade, os valores do Reino. São esses valores que Frei Galvão viveu que Deus confirmou na sua canonização. Ou vamos dizer que a bíblia é que está errada e que alguns por aí é que estão certos.

Agradecemos pelo contato e reiteramos que neste apostolado não existem dançarinos, mas homens simples e comuns, católicos apostólicos romanos, que apreciam o respeito e que amam e defendem a Santa Madre Igreja Católica, fundada por Jesus Cristo,  “coluna e fundamento da verdade” (1 Tm. 3, 15) e por onde as “portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt. 16, 18).
Vós todos considerai o matrimônio com respeito, e conservai o leito conjugal imaculado, porque Deus julgará os impuros e os adúlteros” (Hb 13,4).

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