Santos Sacramentos da Igreja, pelos quais tem início toda verdadeira Santidade pois se já começada, se submeta, e se perdida, se recobra totalmente.

O homem criado por Deus a Sua imagem e semelhança, desde sempre foi chamado a manter um relacionacionamento com Ele. Para tanto Deus se Revelou pelos profetas e nos últimos tempos, através de Seu Filho. Pela Revelação sabemos que Adão pecou e que todos ficaram privados da glória de Deus. Ainda por ela sabemos que na plenitude dos tempos Deus envia seu Filho pra resgatar este homem da condenação eterna a que estavam todos fadados, já que perderam pelo pecado original, a graça que os faria estar eternamente com Ele; e fez isso pelo sacrifício de Si mesmo, oferecendo-se em nosso favor. Ainda que Jesus Cristo tenha morrido por todos, nem todos participam do benefício de sua morte, mas somente aqueles a quem sejam comunicados os méritos de sua Paixão, porque, assim como nasceram os homens, efetivamente impuros, pois nasceram descendentes de Adão, e sendo concebidos pelo mesmo processo, contraem por esta descendência sua própria impureza, e do mesmo modo, se não renascessem por Jesus Cristo, jamais se salvariam, pois nesta regeneração é conferida a eles, pelo mérito de Sua paixão, a graça com que se tornam salvos.

O que a morte de Jesus significa, é que foi oferecida a infinita reparação pelo mal infinito da rebelião do homem contra Deus, foi pago um preço infinito para assegurar o fluxo ilimitado da graça que permite ao homem voltar a Deus e permanecer em união com Ele, durante toda a vida e a eterna. Deus, pelo Filho, nos fez dignos de entrar juntamente com os Santos na glória, nos tirou do poder das trevas e nos transferiu ao Reino de Seu Filho muito Amado, e é Nele que temos a redenção e o perdão dos pecados.

Os Evangelhos nos contam que na Cruz Jesus é perfurado por uma lança e do Seu lado direito brota sangue e água (Jo 19,34), Santo Agostinho e a tradição cristã vêem brotar os Sacramentos e a própria Igreja do lado aberto de Jesus: “Ali abria-se a porta da vida, donde manaram os Sacramentos da Igreja, sem os quais não se entra na verdadeira vida(…). Este segundo Adão adormeceu na Cruz para que dali fosse formada uma esposa que saiu do lado dAquele que dormia. Oh morte que dá vida aos mortos! Que coisa mais pura que este sangue? Que ferida mais salutar que esta?” (In Ioann Evang.,120,2 – Bíblia de Navarra, pag. 1412- 1413) .

Durante Sua vida pública as multidões se aglomeravam ao redor de Jesus para serem curadas. E eram curadas pelo Seu poder divino, servindo-se de Sua natureza humana, pois “somente ela, Sua Santíssima humanidade é o caminho para nossa salvação e o meio insubstituível para nos unir a Deus. Assim, pois, hoje nós podemos nos aproximar do Senhor por meio dos Sacramentos, de modo singular e eminente pela Eucaristia. Pelos Sacramentos flui também para nós, desde Deus através da Humanidade do Verbo, uma virtude que cura aqueles que os recebem com fé “(cfr. Suma Teológica, III,q.62,a.5).

Jesus enquanto esteve neste mundo, ao revelar a face misericordiosa de Deus, chama os apóstolos, os instrui e dá a eles poder de continuar aqui Sua missão até que Ele volte para entregar tudo ao Pai. No dia de Pentecostes, quando envia o Espirito Santo prometido, nasce a Igreja, inaugurando um tempo novo na “dispensação do mistério”: Cristo se manifesta, torna presente e comunica a Sua obra de salvação pela liturgia de Sua Igreja. Age nela e com ela pelos Sacramentos que instituiu Ele mesmo, para comunicar os frutos desta redenção maravilhosa. Cristo ressuscitado, ao dar o Espírito Santo, confere aos apóstolos o Seu poder de santificação, tornado-os assim, sinais sacramentais Dele mesmo. Estes, pelo poder do mesmo Espírito confere este poder aos seus sucessores, por isso a vida litúrgica é sacramental, para levar a efeito tão grande obra, através do qual Deus é glorificado e os homens santificados. Em todos os tempos e em todos os lugares, eis a grande misericóridia de Deus que não deixou os homens à deriva e fora de seu plano de amor.

Os Sacramentos são sinais sensíveis (palavras e ações), instituídos de modo permanente por Cristo, para santificar as almas, sendo acessíveis à nossa humanidade atual e realizam eficazmente a graça que significam, em virtude da ação de Cristo e pelo poder do Espírito Santo presente na Igreja. Eles são como que “Forças que saem” do corpo de Cristo, sempre vivo e vivificante: ações do Espírito Santo que opera no seu corpo que é a Igreja, os Sacramentos são “as obras-primas de Deus”, na nova e eterna Aliança. (Catecismo da Igreja Católica n.1116)

Lembremo-nos da cena daquela mulher, a hemorroísa, que depois de anos doente com um fluxo de sangue e após gastar tudo que tinha, foi até Jesus, e numa atitude humilde e reverente, consciente de que estava diante d’Aquele que tudo pode, caiu ao chão e apenas tocou na orla do seu manto…Jesus sente que uma força sai de Si e pergunta aos apóstolos: ”quem Me tocou?” Ora, havia ali uma multidão mas sómente nesta mulher saiu como que uma força…esta cena maravilhosa, diz o Catecismo que retrata os Sacramentos, onde Cristo mesmo vem em favor dos que a Ele se achegam confiantes. Os homens neste mundo tem a chance de obter cura, e libertação para seus males, tanto físicos quanto espirituais, quando buscam a Cristo presente nos Sacramentos que deixou à Sua Igreja, para serem administrados pelos Seus ministros. Assim estamos hoje, uma multidão pode falar de Cristo, buscar a Cristo, mas somente aquele que se achega aos Sacramentos, se achega à fonte da graça. Toda oração, toda união com os irmãos, todo louvor em comum, todo movimento ou pastoral, deve levar o cristão necessariamente aos Sacramentos, porque sem eles não há salvação, sobretudo a Eucaristia e o da Penitência, que são aqueles que vivificam a alma pela graça presente, logicamente depois do Batismo que o torna filho de Deus.

“As palavras e as acções de Jesus durante a sua vida oculta e o seu ministério público já eram salvíficas. Antecipavam o poder do seu mistério pascal. Anunciavam e preparavam o que Ele ia dar à Igreja quando tudo estivesse cumprido. Os mistérios da vida de Cristo são os fundamentos do que, de ora em diante, pelos ministros da sua Igreja, Cristo dispensa nos Sacramentos, porque “o que no nosso Salvador era visível, passou para os seus mistérios” (Catecismo da Igreja Católica n.1115).

São Tomás de Aquino define assim as diferentes dimensões do sinal sacramental: «Sacramentum est et signum rememorativum eius quod praecessit, scilicet passionis Christi; et demonstrativum eius quod in nobis efficitur per Christi passionem, scilicet gratiae; et prognosticum, id est, praenuntiativum futurae gloriae – O sacramento é sinal rememorativo daquilo que o precedeu, ou seja, da paixão de Cristo; e demonstrativo daquilo que em nós a paixão de Cristo realiza, ou seja, da graça; e prognóstico, quer dizer, que anuncia de antemão a glória futura» (São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 3, q. 60, a. 3 c.: Ed. Leon. 12, 6.)

O cristão é chamado à santidade, a ser justo, e este é aquele que se esforça sinceramente por cumprir a vontade do Pai, que se manifesta nos mandamentos, nos deveres de estado e na união da alma com Deus. São Jerônimo ao comentar que Nosso Senhor não exige que tenhamos um simples desejo vago de justiça, mas que tenhamos sede e fome dela, mostra-nos que devemos com todas as forças e ajuda de Deus, buscar aquilo que nos faz justos diante dEle. Quem quer de fato a santidade cristã tem que amar os meios que a Igreja, instrumento universal de salvação, oferece e ensina a viver todos os homens: frequência de Sacramentos, convivência intima com Deus na oração e fortaleza para cumprir os deveres familiares, profissionais e sociais. (Comm.in Matth.5,6)

«Os sacramentos estão ordenados à santificação dos homens, à edificação do corpo de Cristo e, por fim, a prestar culto a Deus; como sinais, têm também a função de instruir. Não só supõem a fé, mas também a alimentam, fortificam e exprimem por meio de palavras e coisas, razão pela qual se chamam Sacramentos da fé». A fé da Igreja é anterior à fé do fiel, que é chamado a aderir a ela. Quando a Igreja celebra os Sacramentos, confessa a fé recebida dos Apóstolos. Daí o adágio antigo: «Lex orandi, lex credendi – A lei da oração é a lei da fé» (Ou: «Legem credendi lex statuat supplicandi – A lei da fé é determinada pela lei da oração», como diz Próspero de Aquitânia [século V]). A lei da oração é a lei da fé, a Igreja crê conforme reza. A liturgia é um elemento constitutivo da Tradição santa e viva (Catecismo n. 1123)

O Sacrossanto Concílio de Trento declarou que a Igreja tem o poder de, ao administrar os Sacramentos, determinar e mudar, sem lhes alterar a substância: Declara mais [este sagrado Concílio] que a Igreja sempre teve o poder de, ao administrar os Sacramentos, determinar e mudar, salva [sempre] a sua substância, o que julgar conveniente à utilidade dos que os recebem e à veneração dos mesmos Sacramentos, conforme a variedade dos tempos e lugares. Isto parece ter insinuado claramente o Apóstolo com estas palavras: ”Assim nos considere o homem como ministros de Cristo e dispenseiros dos mistérios de Deus ”(l Cor 4, l).

Os Sacramentos Instituídos por Cristo são sete: Batismo, Confirmação, Eucaristia, Penitência, Matrimônio, Ordem e Unção dos enfermos, sendo estes necessários `a salvação e são eficazes porque neles age o próprio Cristo, comunicando a graça inexistente pelo pecado (Batismo e confissão – Estes dois Sacramentos, chamam-se Sacramentos de mortos, ou. Atua ex opere operato : pelo próprio fato de a ação ser realizada). Fazendo uma analogia entre a vida natural e sobrenatural, podemos entender o porque deste número. “Para viver, conservar-se, levar uma vida útil a si mesmo e a sociedade, precisa o homem de sete coisas: nascer, crescer, nutrir-se; curar-se quando adoece; recuperar as forças perdidas; ser guiado na vida social, por chefes revestidos de poder e autoridade; conservar-se a si mesmo e ao genero humano, pela legitima propagação da espécie. O mesmo podemos dizer da vida espiritual que necessita de todas esta funções.” (Catecismo Romano)

“Os sacramentos pertencem à categoria dos meios, pelos quais se logra a salvação e a justificação “(Catecismo Romano II, IIIB) . Cristo os instituiu para facilitar a obtenção do fim ultimo do homem que é viver eternamente com Ele. Temos um caminho a seguir, mas precisamos de forças, de meios para conseguirmos o nosso intento, e para tanto Deus se utiliza de coisas visíveis para que a natureza humana perceba a graça invisível; as orações, os gestos e o objeto (agua, óleo, pão) constituem o sinal sensível. Estes nos mostram exteriormente, por certa imagem e semelhança, o que Deus opera interiormente, em nossa alma pelo Seu poder invisível. Todo cristão praticante confessa a eficácia dos sacramentos, pois como já disse, quem opera é Deus com Seu poder ilimitado e para comunicar a graça necessita da disposição e do preparo do homem. – “Os frutos dependem das disposições espirituais de quem os recebe, pelo que a Igreja insiste na necessidade da sua devida preparação”(cf. CDC 777,2)

Como vimos os sacramentos conferem a graça, a princípio a graça santificante, que é a vida sobrenatural, o partilhar da própria vida de Deus, que provém da inabitação do Espírito Santo em nós. O Batismo nos dá a graça que foi perdida pelo pecado original, estabelecendo a união com Deus perdida por Adão, e o Sacramento da Penitência, confere esta mesma graça caso a tenhamos perdido pelo pecado mortal.Os outros cinco Sacramentos, mais o da penitência caso o receba em estado de graça, aumentam a graça santificante, aumentando o nível de vitalidade espiritual, significando que aumenta a capacidade da alma para absorver o amor de Deus. (São chamados Sacramentos dos vivos). Além dela, cada Sacramento produz a chamada graça sacramental, que é característica de cada um deles e são ajudas de Deus às nossas necessidades particulares ou ao nosso estado de vida. Esta acrescenta a graça santificante sugundo São Tomás de Aquino, um vigor especial, destinado a produzir efeitos em relação com cada sacramento, ou segundo a doutrina universal, confere um direito a graças atuais especiais, que serão conferidas no tempo oportuno, para se cumprirem mais facilmente os deveres impostos pela recepção do Sacramento.

Além da graça santificante e sacramental, alguns Sacramentos conferem o que se chama de caráter, que é um sinal espiritual indelével, impresso na alma, pelo qual o homem é consagrado às coisas divinas e se distingue dos outros. Este capacita o homem para a recepção ou para o excercícios dos santos Mistérios. São eles: Batismo, Crisma, Ordem, não podendo por isso, ser reiterados na mesma pessoa.

Os Sacramentos só podem ser recebidos com dignidade, e por isso as disposições interiores são muito importantes, se não se torna infrutuoso, não conferindo por isso a graça santificante. Fora que eles devem ser recebidos como o que de fato são: Santíssimos, – portanto a devida instrução para os fieis é imprescindível, para que não aconteça de :” Dar aos cães o que é santo, nem lançar aos porcos as vossas pérolas”(Mt 7,6)

O Concílio de Trento nos ensina em sua sess.VI, cap7 que a quantidade da graça produzida pelos sacramentos depende juntamente de Deus e de nós. Segundo Tanquerey pag. 174 – Da nossa parte é preciso que tenhamos desejo de recebe-la, aliada a um arrependimento sincero de nossos pecados, fazendo assim com o sacramento opere de forma total e positiva, derramando em nós a graça. Pois aquele que com conhecimento recebe indignamente um Sacramento comete um sacrilégio

Ministro do Sacramento:

Os presbíteros, ministros dos Sacramentos

Deus, que é o único santo e santificação, quis unir a si, como companheiros e colaboradores, homens que servissem humildemente a obra da santificação. Donde vem que os presbíteros são consagrados por Deus, por meio do ministério dos Bispos, para que, feitos de modo.especial participantes do sacerdócio de Cristo, sejam na celebração sagrada ministros d’Aquele que na Liturgia exerce perenemente o seu ofício sacerdotal a nosso favor . Na verdade, introduzem os homens no Povo de Deus pelo Batismo; pelo sacramento da Penitência, reconciliam os pecadores com Deus e com a Igreja; com o óleo dos enfermos, aliviam os doentes; sobretudo com a celebração da missa, oferecem sacramentalmente o Sacrifício de Cristo. Em todos os Sacramentos, porém, como já nos tempos da Igreja primitiva testemunhou S. Inácio mártir, os presbíteros unem-se hieràrquicamente de diversos modos com o Bispo, e assim o tornam de algum modo presente em todas as assembleias dos fiéis .

”Tu amas-Me? Esta identificação amorosa com Cristo tem para nós, Bispos, outro lugar privilegiado no “munus sanctificandi”, exercido in persona Christi Capitis na celebração dos Sacramentos. Sabemos que a Igreja, contra aqueles que vinculavam à santidade do ministro a própria validade dos Sacramentos, defendeu a sua eficácia ex opere operato. Era um modo de afirmar que Cristo está presente nos Sacramentos e opera para além da fragilidade do ministro. Mas, afirmando isto, é de igual modo evidente que a santidade do ministro é a condição mais natural para a celebração dos Sacramentos. A experiência pastoral mostra que há uma influência misteriosa que passa precisamente através do testemunho do ministro, quando nele resplandece íntima participação, envolvimento profundo, coerência total de fé e de vida. A santidade é algo que o povo de Deus percebe como que por instinto, e dela tem sede.”(Jubileu dos Bispos – Homilia de D. Giovanni Battista – Basílica de São João de Latrão, 6 de outubro de 2000).

Condições para a Administração dos Sacramentos – segundo Del Greco

Para a válida adminitração dos Sacramentos requer-se: O Poder divino e a devida intenção –

1 – O poder divino: Somente Deus de fato, pode comunicar a Graça interna à ação sacramental

2 – A devida intenção, porque aadministracão dos Sacramentos é um ato humano. O ministro deve ter pelo menos a intenção de fazer o que faz a Igreja. Este age em nome de Cristo, portanto, o Sacramento será válido na medida em que ele tem esta intenção, fazer em Nome de Cristo.

Para que o Sacramento seja válido, não se requer nem a fé, nem o estado de graça do ministro. Por isso o batismo realizado por um herege é válido se é administrado com a intencão e com o rito da Igreja.

Para a lícita administração dos Sacramentos requer-se:

1 – O estado de graça: a reverência para com o mesmo o requer. Um ministro que administra o Sacramento em pecado mortal, sem necessidade, peca mortalmente. Se não houve tempo de se confessar e se ele fez um ato de contrição perfeita, pode celebrar, deixando a confissão o mais breve possível.

2 – A intenção interna: Um Ministro voluntariamente distraído peca gravemente se a sua distração é causa de erros substanciais para o rito sagrado, por expo-los ao perigo de nulidade. Se ele executa uma ação externa incompatível com a interna, a administração torna-se inválida.

3 – A observância dos ritos e das cerimônias.

4 -A imunidade de censuras e irregularidaes. Um excomungado não pode licitamente confeccionar um Sacramento e administrá-los, a não ser se algum fiel lhe peça e se falte ministros para realiza-lo. Mas se ele for um excomungado vitando (Aquele que foi nominalmente excomungado pela santa Sé, mediante decreto e sentença pública) só em perigo de morte o poderá administra-lo.

5 – A devida licença.

Obrigação de negar os Sacramentos aos indignos

Entre os indignos estão incluídos: 1) os hereges e os cismáticoss, 2) os pecadores públicos, 3) os pecadores ocultos.

1 -É proibido ministrar os Sacramentos da Igreja hereges e cismáticos, mesmo se estes os pedem de boa fé, se antes não houverem abjurado os seus erros e se tiverem reconciliado com a Igreja (cân.731. -2). Sem a abjuração de seus erros, nem em perigo de morte se administrar os Sacramentos da Penitência e da Extrema-Unção aos hereges e cismáticos, mesmo só materialmente, se os pedem de boa fé (cfr. resposta do S. Ofício – de março de 1916 em DB. 2l81 a).

2 -Deve-se negar os Sacramentos a um pecador oculto quando os pede secretamente: não se pode, porém, negá-los quando o pedido é público. Assim requer a caridade e a religião. Mas se o sacerdote conhece a má disposição do penitente somente pela sua confissão, não lhe pode negar os Sacramentos; doutro modo, violado o sigilo sacramental.

3 – Deve-se negar os Sacramentos a um pecador público, que os peça privadamente, quer publicamente até que conste de sua emenda, penitência e reparação do escândalo (cân. 855-1)

Componentes essenciais dos Sacramentos:

Materia e Forma:

Cada Sacramento contém duas partes constitutivas: Uma com função de matéria: chama-se elemento. Outra tem o caráter de forma, que é a palavra. Santo Agoatinho nos diz: “Unindo-se a palavra ao elemento, daí nasce o Sacramento”(Aug. Tract. In Ioh. 80.3) Tanto elemento quanto a palavra são tidas por “coisas sensíveis” já que são percebidas por todos nós. São Paulo em Ef 5,25 -26 nos explica claramente ambas as partes: Cristo amou a Igreja e por ela Se entregou, a fim de santifica-la, purificando-a no banho de agua pela palavra da vida ” Ambas unidas dão a certeza de que houve de fato o Sacramento, pois hoje, na nova aliança, a forma da palavra é descrita de uma tal maneira, que se não for observada, deixa de ser Sacramento.

Diferença dos Sacramentos

1 – Quanto à necessidade: Todos os Sacramentos comportam em si uma virtude admirável e divina, mas nem todos são igualmente necessários, nem possuem a mesma graduacão e finalidade. Entre eles, tres são mais necessários, embora não o sejam por razões idênticas. Do Batismo declarou nosso Senhor ser absolutamente necessário para todos os homens: Quem não renascer da agua e do Espírito, não entrará no Reino de Deus

2 – Quanto à dignidade: A Eucaristia sobrepuja a todos os outros, sendo superior por santidade, número e grandeza de seus mistérios.

O Sujeito do Sacramento:

O sujeito capaz dos Sacramentos é somente o “homo Viator”. Todavia nem todo homem é capaz de todos os Sacramentos. Somente aquele que não foi batizado é sujeito capaz do Batismo, sendo capaz de todos os outros Sacramentos qualquer batizado.

Para receber validamente os Sacramentos, não se requer nem o estado de graça nem a fé. Esta última porém se requer para o sacramento da Penitência., pois precisamos para recorrer a ele, uma dor sobrenatural que se tem por meio da fé. Para a validade dos outros sacramentos se requer o batismo, (aqui não basta o de desejo, mas o de água), pelo qual nos incorporamos à Igreja. Para aqueles que chegaram a idade da razão, se requer uma positiva e pessoal intenção.

Para receber licitamente os Sacramentos e com frutos, para os Sacramentos dos mortos se exige a atrição sobrenatural. E para os Sacramentos dos vivos se exige estado de graça, adquirida mediante a contrição perfeita ou pela absolvição sacramental.

Por fim, demos graças a Deus que no Filho nos abençoou e nos constituiu seu povo de predileção, dando-nos tudo para recebermos de Seus dons Santíssimos. Agradeçamos pela Igreja que continuará para sempre a obra de Cristo: ensinar aos homens as verdades acerca de Deus e a exigência de que se identifiquem com essas verdades, ajudando-nos sem cessar com a graça dos Sacramentos.

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