– “O dia e a hora da 2ª Vinda de Cristo não são conhecidos”

As três principais seitas de entorno cristão – Testemunhas de Jeová, Adventistas e Mórmons – creem no Armagedom e no subsequente reinado milenar de Jesus Cristo. Abordando esses temas, eles tendem a assustar e enganar os novos seguidores, para que ingressem em suas seitas, prometendo-lhes salvação garantida. Pelo menos é o que ocorre entre as Testemunhas de Jeová e os Adventistas; no caso dos Mórmons, este não é um ensinamento tão comum ou que eles pregam durante o seu proselitismo, mas também faz parte do seu programa de ensino doutrinário e, portanto, consta do seu credo.

Neste artigo, pretendo oferecer informações sobre a questão do Armagedom nessas três seitas e, por fim, apontar uma breve refutação acompanhada de uma explicação católica sobre a passagem [bíblica] que envolve a questão.

A citação bíblica que nos fala sobre o Armagedom é:

  • Apocalipse 16,15-16: “Eis que venho como um ladrão. Bem-aventurado aquele que vigia e guarda as suas vestes, para que não ande nu e vejam a sua vergonha. E reuniu-as no lugar que em hebraico chama-se ‘Armagedom'”.

O ARMAGEDON SEGUNDO AS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ

  • O Reino Milenar de Cristo trará benefícios incalculáveis ​​para a família humana. Sob a orientação amorosa de Jesus, a humanidade passará da atual condição lamentável para um estado de perfeição gloriosa. Pense no que isso pode significar para você: saúde transbordante! Imagine acordar de manhã e se sentir melhor todos os dias!
  • Milhões de homens, mulheres e crianças desejarão viver felizes naquele tempo. Eles não apenas têm certeza disso, como pedem a Deus em oração. Sua consulta à Bíblia os convenceu de que podem desfrutar dessas bênçãos. Contudo, antes do início do Reinado Milenar, Jesus Cristo terá que limpar a Terra de todos os que se opõem ao seu governo. Ele fará essa limpeza através da guerra chamada na Bíblia de “Armagedom” (cf. Apocalipse 16,16).
  • Os verdadeiros cristãos que vivem na Terra não lutarão. Será a guerra de Deus e não estará limitada a uma região geográfica. A Bíblia explica que alcançará até os pontos mais remotos do planeta. Nenhum inimigo do governo de Cristo escapará; todos serão eliminados (cf. Jeremias 25,33).
  • O que acontecerá na guerra do Armagedom? Não sabemos como Deus usará o seu poder, mas Ele certamente terá o mesmo arsenal que usou no passado: granizo, terremotos, inundações, chuvas de fogo e enxofre, raios e epidemias (cf. Jó 38,22-23; Ezequiel 38,19.22; Habacuque 3,10-11; Zacarias 14,12). Devido à confusão que reinará, pelo menos uma parte dos inimigos de Deus se matará, embora no final eles percebarão que é Ele mesmo quem luta contra eles (cf. Ezequiel 38,21.23; Zacarias 14,13).
  • O Armageddon trará o fim do mundo? Nosso planeta não será destruído no Armagedom. A Terra foi feita para a humanidade viver eternamente nela (cf. Salmo 37,29; 96,10; Eclesiastes 1,4). Portanto, o Armagedom não pode ser uma destruição total. Na verdade, o Armagedom permitirá que “uma grande multidão” dos servos fiéis de Deus sobreviva (cf. Apocalipse 7,9.14; Salmo 37,34).
  • Quando a guerra do Armagedom começará? Falando de uma “grande tribulação” que levará à guerra do Armagedom, Jesus declarou: “A respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem mesmo os anjos do céu, nem o Filho, mas apenas o Pai” (Mateus 24,21.36). Mesmo assim, a Bíblia revela que o Armagedom ocorrerá durante um período conhecido como “a presença de Jesus”, que começou em 1914 (cf. Mateus 24,37-39).

É por isso que as Testemunhas de Jeová não se cansam de pregar que o fim do mundo está próximo, porque para eles a presença de Jesus na Terra começou em 1914 e em algum momento partir daí o Armagedom acontecerá. Eles creem que antes do reinado milenar de Cristo, o Armagedom acontecerá e somente os verdadeiros cristãos sobreviverão, isto é: as Testemunhas de Jeová. Para as Testemunhas, esses mil anos são literais e a guerra do Armagedom abrangerá o mundo inteiro.

O ARMAGEDON SEGUNDO O ADVENTISMO DO SÉTIMO DIA

  • “Um conflito terrível está diante de nós. Estamos nos aproximando da batalha do grande dia do Deus Todo-Poderoso. O que esteve submisso será libertado. O anjo da misericórdia está dobrando suas asas, preparando-se para descer do trono e abandonar o mundo ao governo de Satanás. Os principados e potestades da terra estão engajados na furiosa revolta contra o Deus do céu, cheios de ódio contra os que servem ao Senhor, e logo, muito logo, será travada a última batalha entre o bem e o mal. A terra deve ser o campo de batalha: a cena do conflito final e da vitória final. Aqui, onde por tanto tempo Satanás levou os homens a irem contra Deus, a rebelião deve ser suprimida para sempre” (Ellen Gould White in RH, 13 de maio de 1902, p.9).
  • “O último grande conflito entre a verdade e o erro é apenas a última batalha na controvérsia que está ocorrendo há tanto tempo em relação à lei de Deus” (CS 639).
  • “Todos aqueles que não têm o espírito da verdade e não obedecem aos mandamentos de Deus, se unirão sob a liderança de agentes satânicos, mas não poderão colocar seus poderes em ação até que chegue o tempo da batalha do Armagedom” (Carta 79, 1900, publicada em “Our Firm Foundation”, volume 2, p.287).
  • “O poder do Espírito Santo deve repousar sobre nós e o capitão do exército do Senhor estará à frente dos anjos do céu para liderar a batalha. Eventos solenes estão prestes a acontecer diante de nós. Trombetas soam uma após a outra, taça após taça é derramada sobre os habitantes da terra” (MSV76 255.5).

Esta é a posição da Igreja Adventista sobre a questão do Armagedon. Para eles, aqueles que não guardam os mandamentos do Senhor, isto é, o sábado, lutam ao lado de Satanás, contra os fiéis, ou seja, os adventistas. Essa luta acontecerá por toda a Terra e será uma batalha que ocorrerá muito em breve. Após a vitória, começará o período de mil anos, no qual Cristo reinará com os santos no céu; o arrebatamento daqueles que estão vivos na Terra ocorrerá e esta restará desolada.

O ARMAGEDON SEGUNDO O MORMONISMO

  • O Armagedon marca o fim do mundo, que é definido como “a destruição dos iníquos”, mas prepara o caminho para começar o reino milenar de Cristo e a era de paz que durará mil anos. A humanidade entrará em um período marcado por retidão, saúde, educação, prosperidade e segurança (cf. Isaías 65,17-25; Zacarias 14,9.16-20; D&C 84,98-102; 101,23-24; 133,52-56).
  • As Escrituras afirmam que, quando a batalha estiver no auge, Cristo, o Rei dos Reis, aparecerá no Monte das Oliveiras, acompanhado de dramáticas convulsões. Posteriormente, os exércitos dos quais João fala serão destruídos e se seguirá o reino milenar de Cristo (cf. Zacarias 11-14; Apocalipse 16,14-21; D&C 45,42-53; JD 7,189; MD 71). Quanto tempo esses eventos durarão, não se sabe.

Os mórmons, como os Adventistas e as Testemunhas, também acreditam num reinado milenar de Cristo após o Armagedon, e que somente eles, por constituírem a Igreja de Deus, serão salvos.

No Guia de Estudo das Escrituras (GEE) dos Santos dos Últimos Dias (SUD), somos informados de que “o grande conflito final, que ocorrerá pouco antes da segunda vinda do Senhor, é chamado de ‘batalha do Armagedon’, porque a luta começará no local que possui esse nome”. Vemos aqui uma diferença em relação aos Adventistas, pois estes não creem que a luta comece aí.

Com efeito, diferentes interpretações sobre a mesma passagem são dadas por estas três seitas diferentes.

QUAL É A POSIÇÃO CATÓLICA SOBRE O ARMAGEDON?

Para começar, devo dizer que a Igreja Católica não tem uma interpretação dogmática sobre essa passagem do livro do Apocalipse, de modo que devemos consultar exegetas católicos renomados para elaborarmos uma interpretação que esteja de acordo com a Escatologia Católica. Para tanto, consultei três exegetas católicos: Alberto Colunga OP, Mons. Juan Straubinger e Pe. Bover, SJ, e suas respectivas Bíblias (Nacar-Colunga, Platense de Straubinger e Bover-Cantera). Eis o resumo das suas interpretações acerca desta passagem:

“Harmageddon” significa, em hebraico, “montanha de Megido”; foi o lugar onde o rei Josias foi derrotado (cf. 2Reis 23,29-30; 2Crônicas 35,22); com sua morte, a monarquia de Israel chegou ao fim. Morreu ali também o rei Acazias (cf. 2Reis 9,27) e, na literatura judaica, passou a ser símbolo de desastre para os exércitos que ali se reúnem (cf. Zacarias 12,11). É portanto um lugar puramente simbólico e proverbial, que faz simbolizar o desastre que Satanás e as hostes do Anticristo irão sofrer. Pois bem: essa citação deve ser entendida juntamente com as outras duas do Apocalipse, que nos fala sobre a batalha do dia do juízo final:

  • “E vi a besta e os reis da terra, e os seus exércitos reunidos, para fazerem guerra àquele que estava assentado sobre o cavalo e ao seu exército” (Apocalipse 19,19);
  • “E vi um grande trono branco, e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu; e não se achou lugar para eles” (Apocalipse 20,11).

Ou seja, a batalha triunfal de Cristo é o advento Dele no dia do fim do mundo, quando Ele julgará os vivos e os mortos. O Verbo de Deus participa do combate derrotando todos os seus inimigos: as forças anticristãs e o Anticristo, a quem Cristo aniquilará com o esplendor da sua vinda:

  • “E então será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca e aniquilará pelo esplendor da sua vinda” (2Tessalonicenses 2,8).

Portanto, o problema das seitas é duplo:

1) Por um lado, elas afirmam que o Armagedon já está chegando, em breve, em pouco tempo. Assustam os ignorantes, fazendo-os crer nisso para que se juntem ao seu grupo e, assim, acreditem que poderão ser salvos. É um caminho para atrair seguidores, mas mesmo assim as Escrituras nos indicam quando e como isso acontecerá (a chave é dada no versículo 14): “reuni-los para a batalha daquele grande dia do Deus Todo-Poderoso”; refere-se ao dia do juízo final, o dia da Segunda Vinda de Cristo, o qual, porém, não sabemos nem o dia e nem a hora: “Mas do dia e da hora ninguém sabe, nem mesmo os anjos dos céus, mas apenas o meu Pai” (Mateus 24,36). Ou seja, o dia e a hora da 2ª Vinda de Cristo são desconhecidos; logo, é um absurdo sairmos por aí pregando que “Cristo já está vindo” ou que “Ele já veio”, porque a Bíblia afirma que ninguém sabe.

2) Por outro lado, elas afirmam que após o Armagedom o reino milenar de Cristo se estabelecerá. As Testemunhas de Jeová, os Adventistas e os Mórmons concordam nisto e tal doutrina é conhecida como “dispensacionalismo” ou “milenarismo” e foi rejeitada pela Igreja (veja-se o Catecismo da Igreja Católica, §676). Como vimos, na interpretação católica o Armagedom ocorre no fim do mundo, quando Cristo vem e derrota o Anticristo (cf. 2Tessalonicenses 2,8 e Apocalipse 20,11-12) e, ao contrário do que elas ensinam, não ocorrerá mil anos antes do fim do mundo (compreendendo estes mil anos em um sentido literal).

Facebook Comments

Livros recomendados

Antônio Torres – Uma AntologiaCientistas de BatinaÉdipo Mimético